A mística relação

A paixão é um elemento da vida, ao mesmo tempo inexplicável e incompreensível. Os “afetados” não têm palavras para descrever a conexão, é um relacionamento tão complexo que parece ter sido estabelecido por uma entidade superior, algo mais forte e mais poderoso do que os seres humanos estão preparados para entender. Para os que não a vivem intensamente, aquela baboseira é impossível de se entender, não há palavras para justificar aquela “coisa” que eles chamam de relacionamento. Mesmo assim, mais cedo ou mais tarde todos têm as palavras na ponta da língua, mas nunca são capazes de colocá-las para fora de forma a justificar tudo aquilo que sentem. 

A prova da imposição desse sentimento de conectividade vem do berço. É praticamente destino. Muitas vezes, antes mesmo da pessoa nascer, tudo já está pré-estabelecido, como se a tradução do seu DNA fosse: “você tem que se ligar nisso!”. O sangue que pulsa pelas suas veias, passa pelo seu coração, lhe impõe a necessidade desse sentimento. As chances de se escapar são poucas, mas alguns desajustados conseguem a façanha de se desvencilhar do destino, mudar a tradução do código genético e alterar a direção e o sentido do sentimento. Mas de qualquer forma, um dia, ele estará lá presente, por mais que não lhe seja imposto já na maternidade.  

Uma fraqueza dos seres humanos é sentir. Somos escravos dos sentimentos, mesmo que seja sofrimento – algo muitas vezes está diretamente relacionado ao amor, à paixão e à mística relação da que falo. No entanto, somos fortes o suficiente para reclamar, gritar, espernear e nos revoltar quando algo nos incomoda. Não gostamos de coisas que nos são impostas. No entanto, esse sentimento é tão grandioso, tão mirabolante e estupendo que gera identificação instantânea, ainda mais quando é possível compartilhar a sua identificação. 

É por isso que nada barra a ida ao estádio. Uma pessoa que jamais foi a um estádio de futebol não é um ser humano, lhe falta um pedaço de sentimento enorme, lhe falta a relação com o futebol, com o time, com a paixão e a mística causada pelo esporte mais bonito de todos, criado a partir da costela de Adão. Mais cedo ou mais tarde todos manifestam sua simpatia. Por mais que tentem esconder dos amigos por medo de chacotas, por mais que sejam torcedores de final que não consigam descrever o lance decisivo da partida, por mais que não seja uma conexão marcante, ela está presente e é incapaz de ser posta em palavras, o mais próximo que se pode chegar é o vibrante e eufórico: 

É CAMPEÃO, PORRA!

Observação do autor: “E ninguém cala esse nosso amor! E é por isso que eu canto assim, é por ti Fogo!”

Observação dois: O momento de inspiração nada tem a ver com a conquista de algum título, é apenas uma tentativa de explicar a mística relação entre os homens e o futebol, a alegria e o sofrimento causada pela mesma.

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