“Tem um real?”

A cada dia que passa, essa pergunta tem se tornado mais freqüente nas ruas do Rio de Janeiro – e não vem de mendigos ou pedintes, mas sim de vendedores e caixas em geral.

Em 23 de dezembro de 2005, as notas de um real deixaram de ser impressas, sendo substituídas pelas moedas de mesmo valor, que passaram a ter maior circulação. Além da eminente morte da nota de um real, também é a morte do verde como símbolo de dinheiro. Admitamos que azul e cinza (2), violeta (5), carmim (10), amarelo e laranja (20), marrom (50) e azul (100) não são cores dignas de dinheiro.

Desconsiderando problemas com cores, é de conhecimento geral que ninguém gosta de moedas, por serem inconvenientes e “pesos mortos” – mesmo valendo um real.

A maioria das carteiras não tem espaços para se guardar moedas, e carregar por aí um porta-níquel é, além de desagradável, torturante. Se você não usa bolsa, não tem onde guardar. Mesmo se usa, é mais uma coisa para levar junto. Quando recebe uma moeda, tem que tirar o porta-níquel da bolsa (ou mochila), abrir o zíper, colocar a moeda, fechar o zíper e colocar de volta. Isso tudo com a carteira na mão. Ainda, muitas vezes ele é esquecido dentro da bolsa (ou mochila), porque o procedimento é o mesmo para se tirar as moedas. 

Se você tem uma daquelas carteiras com espaço para moeda, a tarefa é tão árdua quanto. Normalmente, essas partes são pequenas e escondidas, para não deixar a carteira gorda. Quando se tenta colocar as moedas dentro, é preciso tomar cuidado para não deixar notas e cartões caírem, pois esses compartimentos nunca são na mesma direção e acabam prejudicando a estabilidade dos outros objetos guardados na carteira.

A decisão de substituir gradativamente as notas por moedas de um não traz benefícios; nem deixa a população escolher qual meio monetário ela prefere. E o Banco Central é firme em sua decisão, a ver pela diferença em quantidade de circulação entre notas e moedas.

No dia 26 de junho (ontem), segundo dados atualizados do site do Banco Central do Brasil, havia 348.818.561 notas de um real em circulação, contra 734.068.539 moedas. Como se vê, é mais que o dobro. E o número de notas vai diminuindo a cada dia. Do dia 25 de junho para o dia 26, 732 mil e 94 notas saíram de circulação, enquanto as moedas tiveram um reforço de exatas 599 mil e 965.

Fato é: as moedas estão crescendo vertiginosamente, já se tornaram uma realidade para assolar nossas vidas e carteiras.

Pois é, ninguém gosta de receber moedas, e os caixas tentam ao máximo evitar distribuí-las – pelo menos os altruístas e de bom coração. A pergunta “tem um real?” é válida e pertinente quando há valores terminados em 1 e 6 e não se tem dinheiro trocado. O negócio custa 11, mas você só tem 15. Para não ter que te dar quatro moedas de um, o caixa pergunta se você tem um real trocado, para que ele te dê uma nota de cinco, bem mais confortável e leve. Esse procedimento se repete com qualquer valor que dê para se trocar moedas por notas.

A grande concorrente (e altamente preferida entre as pessoas) da moeda de um é a nota de dois. Entrou em circulação em 2002 e hoje já é a terceira nota de maior circulação no país – só perde pra de 50 e pra de dez –, com 475.295.107 cédulas rodando por aí no dia 26/06.

A nota de dois é perfeita para ser entregue em casos de valores terminando em 1 e 6, além de trazer um frescor ao real, junto com a de 20, renovando as já saturadas notas.

O que complica é o anúncio do Banco Central, em 24 de janeiro de 2007, de que será lançada a moeda de dois reais.

Pelo menos elas serão apenas comemorativas em homenagem ao Pan e custarão 15 reais cada, não aparecendo como sucessoras reais das cédulas.

Mas a pergunta que não quer calar é: o que o Banco Central tanto vê em moedas, afinal?

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