Quando a esmola é pouca, todo mendigo reclama

Em clima de ressentimento

Eu sou um ser apaixonado pelo Rio de Janeiro. Apesar de não ser minha cidade natal – viva Snoqualmie! – eu gosto muito de morar na Cidade Maravilhosa. Mesmo com seus problemas e defeitos, o Rio consegue marcar a vida de qualquer um.

Em clima de ressentimento, após quase ter sido assaltado em frente a uma Delegacia de Polícia, postarei uma idéia antiga que está guardada há algum tempo, pois a preguiça de escrever falava mais alto.

 

Quando a esmola é pouca, todo mendigo reclama

 

O Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do Brasil e a terceira maior da América Latina com cerca de seis milhões de habitantes. A Região Metropolitana da cidade faz com que a quantidade de “usuários” dobre, são aproximadamente 12 milhões de pessoas vivendo em função da Cidade Maravilhosa.

O problema é que grande parte dessas pessoas está abaixo da linha da pobreza, chutados para escanteio por um governo que adota medidas populistas e age como se o problema não existisse. O problema existe. Há tempos que ele está presente, e as sucessivas falta de atitudes levam essas pessoas a recorrerem a medidas extremas para conseguirem sobreviver. É por isso que temos uma população de rua tão expressiva na cidade, além de marginais – no sentido de marginalizados pela sociedade – tentando ganhar a vida de forma prejudicial à maioria.

Toda vez que saímos na rua, milhares de pessoas pedem dinheiro ou algum tipo de contribuição para ajudar a sustentar as dezenas de filhos. Como a maioria da população é sofrida, a classe média não pode arcar com os custos de sustentar um povo tão pobre. É por isso que não há a possibilidade de dar dinheiro para todos que pedem, os salários dos estagiários estariam comprometidos antes mesmo de lhes chegarem às mãos.

As vezes, casos especiais tocam os corações dos mais abastados e contribuições se fazem necessárias por causa do sentimento de piedade. Histórias tristes, que um dia poderiam virar filmes, deixam a classe média sensibilizada. Deficientes acompanhados de guias, ou de cadeiras-de-roda, sempre acabam fazendo com que as pessoas abram a carteira.

Mas há alguns, tão meigos e sensíveis, que o fazem perder a carteira. Aqueles que pedem com jeitinho, com uma voz doce e inebriante, o som melódico do “passa tudo, mané, senão vou te furar todinho!”, faz com que dixemos a carteira ir embora, como se num passe de mágica. O problema é que estes também são muitos e para poderem competir num mercado tão restrito, eles estão cada vez mais ousados.

Eram 18:30 da noite, a Nossa Senhora de Copacabana estava lotada, e aos berros um negão mandou passar tudo. Entre vários outros pedestres, um comparsa se posicionou na frente da vítima e eles tentaram fazer um sanduíche humano de intimidação. Ao perceber o que estava acontecendo, o menino saiu em disparada, como uma bala, pra cima do meliante da frente, dando-lhe um empurrão, conseguiu se safar da condição de recheio de pão integral. A atitude desesperada, que quase lhe custou o tênis do pé esquerdo, pode ter salvado a sua vida, além do seu celular e carteira.

A grande questão é que isso aconteceu em frente a uma Delegacia de Polícia. Como os guardadores de veículos, que muitas vezes fazem tratos com os policiais, não duvidaria que esses idiotas também mantenham algum tipo de acordo com os PMs.

 

Merda de política!

5 Respostas to “Quando a esmola é pouca, todo mendigo reclama”

  1. Massa Says:

    Nunca mais teve rapidinha no domingo. Vida ativa dos adolescentes está ficando só no papel.

  2. Castello Says:

    “Entre vários outros pedestres, um comparsa se posicionou na frente da vítima e eles tentaram fazer um sanduíche humano de intimidação”

    = genial.

    mas tu perdeu a piada quando falou do recheio e tal.

  3. steph Says:

    pão integral foi intencional

    uhauahuahauha gostei!!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. Massa Says:

    Castellão, você não entendeu a do pão integral, deu mole!

  5. Castello Says:

    Se é piada interna, a) eu não entendo e (por conseqüência) b) não tem graça.

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