A arte de ficar em casa

Como eu sei que alguns de nossos leitores – todos – não gostam de textos muito longos, resolvi colocar apenas um de alguns que tenho preparados para momentos como esse. Segue uma análise profunda da arte de ficar em casa: 

Alguns sentem por mim. Falam que eu não tenho vida: “no auge de sua adolescência, depois de finalmente fazer 18 anos, você não sai de casa! Eu tenho pena de você, sério!”, mas o que essas pessoas não entendem é que ficar em casa é muito mais do que ter preguiça de sair ou não ter dinheiro para a bombação. Deixar de sair – como eu prefiro – não se restringe ao aumento da população infantil brasileira, é uma arte.

Confesso que não é uma arte barata, mas é mais econômica do que ir dançar na Baronetti. Deixar de sair envolve alguns elementos básicos que podem – ou não – serem custosos:

-Uma DVDteca

-Pão de queijo (permite-se pipoca, mas a recomendação é para a guloseima mineira)

-Companhia

-Disposição

Analisando friamente, pode-se concluir que o elemento mais caro desse lineup – que não é de Djs, mas é fundamental – é a DVDteca. Ela integra essa lista como representante da bombação cinematográfica, não precisa, necessariamente, ser sua, pode ser da locadora da esquina!

O pão de queijo, em tempos de globalização, está ficando mais caro, mas nada que chegue aos R$8 cobrados pela minha locadora de esquina pelo mais novo filme do Woody Allen. Uma das mais famosas lojas da delícia mineita (não falarei o nome por questões éticas, mas a Casa do Pão de Queijo realmente é a melhor) oferece o básico, de 250g, por cerca de R$3. Se o seu negócio é mais por menos, vá até ao supermercado mais próximo e invista no pacote “Barão de Minas”. São milhares de pãezinhos por apenas R$4,39 (preço base do Zona Sul, o símbolo da extorção capitalista).

A companhia. Bem, a companhia pode ser mais barata do que a DVDteca, mais cara do que o pão de queijo, ou de graça. Se você está em busca da melhor companhia possível, imagino que ela será gratuita. Um símbolo de amizade, partindo da namorada, ou daquele coleguinha que você conhece desde a terceira série e que sempre vai na sua casa para ver os filmes do Chuck Norris, já que vocês são machões.

Se você está em busca da companhia mal falada, mas que certamente poderá proporcionar tanta diversão quanto o seu coleguinha – ou mais – recomendo aquele lugar da Rua Podendo (Canning para os menos íntimos) em Ipanema. Por telefone ou no local, pode-se agendar uma visita com horário marcado e com preço à combinar.

Last but not least: DISPOSIÇÃO. Elemento que também pode ser comprado no símbolo da extorção capitalista. Uma latinha de Red Bull, que na night, custa em torno de R$14, no mercadinho está por volta de R$6 – eu falei que ficar em casa é uma arte. Viva a pão-durisse! 

Ela será fundamental para você manter a sua integridade ao programa durante as investidas dos seus miguxos para você sair com eles. Nem a dose tripla de tequila, nem a caipirinha liberada até meia-noite, nem a superbombação dançante vão privá-lo da arte de ficar em casa. Não se renda, jamais.

Caso você sinta que algo mais emocionante será necessário para que você fique em casa, saia e depois volte para assistir ao seu filminho, comendo o pãozinho de queijo, com a disposição da sua companhia. Ou, melhor ainda, admita a carne fraca e renda-se ao aumento da população infantil brasileira – com muita cautela.

4 Respostas to “A arte de ficar em casa”

  1. Laura Says:

    hauhauahuahaua
    eu fecho uma sessão dessa na tua casa miguxo!

  2. Massa Says:

    Houve uma época em que o atrativo ainda existia. Agora, a disposição é menor por causa da ausência de incentivo. Em breve tudo isso estará de volta, se Deus quiser.

    De qualquer forma, as portas estão sempre abertas. Mas nada de ficar se rendendo à carne fraca.

  3. michelle Says:

    é massa depois dessa eu me rendo! desisto de vc. hahahah
    boa sorte com sua arte. mas se algum dia conseguir sair do seu casulo eh so avisar aos colegas dançantes que eles te acolherao! haha

    beijos

  4. Castello Says:

    “Mas nada de ficar se rendendo à carne fraca.”

    hmmm.

    Dependendo da companhia, a DVDteca pode ser facilmente substituída por um Playstation 2 com Winning Eleven 11. Mas isso é outra história.

    Mas em outros casos, a disposição citada no comentário acima é interessante.

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