Contextualização da realidade: saindo da lisura com o garche cabeça

 

Recuperando-se de um soberbo feriado com uma pré-night bombástica na casa do parceiro, o grupo papeava descontraídamente. A conversa alternava entre a quantidade de Absolut no copo, quem iria montar e a pegação da night:

-Porra, lecão, tu vai ver! Hoje eu vou pegar aquela mulherzinha show! – afirma Playson.

-Ah, vai! – responde ironicamente o amigo – Você não tem desenrole pra isso, cara.

Montado. A galera partiu para o silêncio e as risadas imperaram até chegarem na night. Cada um foi para o seu lado, com o combinado de que se encontrariam na porta mais tarde.

 

-Oi.

-Oi.

-Qual o seu nome?
-Luísa.

-Oi, Luísa. Tudo tranqüilo? Que que você faz da vida?

-Eu faço Arquitetura na PUC e você?

-Po, eu estou fazendo paraquedismo na Estácio. Estou me amarrando!

-Legal.

-Você viu aquela parada da nacionalização do gás e do petróleo na Bolívia? Bolante, né?

-É, realmente é bastante chato para a Petrobras e para o Brasil. Mas tudo isso não passa de uma encenação. A multinacional brasileira ainda detém, praticamente, toda a tecnologia e o governo boliviano nada poderá fazer sem a presença da Petrobras. Eles precisam de investimentos estrangeiros no setor. Até porque um país de cocaleiros não tem capital pra investir num setor que demanda tantos incentivos.

Ele. *Beijo.

 

A contagem partia para a positividade. A tensão agora seria o approach com a mulherzinha show.

 

-Oi.

-Oi.

-Qual o seu nome?

-Júlia e o seu?

-Playson. Quantos anos você tem?

-Eu tenho 20 e você?

-18.

-Legal.

-Você viu aquela parada do Bush vetar a saída das tropas americanas do Iraque? Bolante, né?

-É incrível como o filho tenta fazer aquilo que o pai não conseguiu. O projeto de presidente americano não quer se dar por vencido e retirar os soldados americanos de uma guerra civil que eles mesmos provocaram. Admitir a derrota é algo inaceitável para Bush. Esse veto foi só uma forma dele angariar fundos para investir cada vez mais em armas e garantir a supremacia americana na marra.

Ele. *Beijo.

 

2×0. O momento mais tenso da noite se aproximava. A mulherzinha sow já havia sido avistada.

 

Uma pausa para recuperar o fôlego, manter o brilho e tentar dialogar com algum parceiro no bar. Respiração instável, brilho mantido após algumas doses de tequila e amigo visto de longe. Eles param. Conversam:

-Tá no papo já, cara. Tu vai ver. Dessa vez não passa! – exclama o símbolo da pleicitude.

-Eu pago a sua consumação se tu pegar a mulherzinha show. – desafiou o amigo.

I close. – aceita Playson, partindo novamente para a guerra.

 

-Oi.

-Oi.

-Não sabia que você vinha hoje. (mentira)

-Ah, umas amigas minhas disseram que ia ser legal e eu resolvi vir. (mentira)

-Ahhh, to ligado.

-…

-Aí, Ana, você viu aquela parada da Bolívia? Não passa de uma encenação, né? A multinacional brasileira ainda detém, praticamente, toda a tecnologia e o governo boliviano nada poderá fazer sem a presença da Petrobras. Eles precisam de investimentos estrangeiros no setor. Até porque um país de cocaleiros não tem capital pra investir num setor que demanda tantos incentivos. Você não acha?

-Ahn?

-E aquel troço do Bush? Muito chato. Esse veto foi só uma forma dele angariar fundos para investir cada vez mais em armas e garantir a supremacia americana na marra.

-Po. O quê?

-Ana, seguinte, uma charada: tem um objeto cilíndrico no alto da colina. Rola ou não rola?

Ela. *Beijo.

 

Os amigos se encontram do lado de fora e o menino símbolo de tudo ruim tentou convencer o amigo de que a mulherzinha show agarrou ele:

-Muleque, meu papo foi tão espetacular que não tinha como ela dizer não. Cheguei botando pra fora: falei da Bolívia; do Bush; enfim, a situação mundial contemporânea, pra entrar no clima; depois lancei o melhor desenrole de toda a minha vida!

-Porra, tu usou aquele que sempre funciona, né? E aí? O que ela falou?

-Não tinha o que falar, cara. Ela me agarrou!

-Duvido! Tu estragou o papo, lecão. Aposto que tomou tocão. Não sei como. Essa conversa sempre funciona.

-Muleque. Eu vou te ignorar, sério. Ela nem manda tão bem assim…

-Zecaaa, o muleque estragou o papo! Tomou tocão, leque…

 

Zeca. *Vômito.

Uma resposta to “Contextualização da realidade: saindo da lisura com o garche cabeça”

  1. Lívia Says:

    foi um dos seus melhores, minhas congratulações!
    mas não consegui captar quem foi a homenagiada

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