Meus gols inesquecíveis

            No Linha de Passe dessa segunda-feira, na ESPN Brasil, os jornalistas da mesa discutiram muito o golaço de Messi, pelo Barcelona, contra o Getafe. O jovem argentino Messi marcou o segundo gol do Barcelona, mas isso foi o de menos. O gol foi tão detalhadamente esmiuçado por ser uma cópia quase fiel do gol de Maradona, pela Argentina, na Copa de 86 contra a Inglaterra. Ambos pegaram a bola na intermediária do próprio campo e só pararam com a bola dentro do gol. Mas essa semelhança será discutida em um texto multimídia especial que está por vir.

            Eu comecei citando o programa Linha de Passe porque depois de falar do inesquecível gol do Messi, o apresentador João Palomino pediu aos espectadores internautas que descrevessem seus próprios gols inesquecíveis por e-mail. Fiquei em casa na posição de espectador internauta e vou aqui contar dos meus gols inesquecíveis. Como não deu para escolher um, ficaram três, divididos em três categorias: Gol Inesquecível Positivo, Gol Inesquecível Negativo e Gol Inesquecível Geral.

Gol Inesquecível Positivo

            Romário está em busca de seu milésimo gol, mas em 1999, jogando pelo Flamengo fez o gol não-sei-qual número que ficará para sempre na minha memória. No Torneio Rio-SP daquele ano, contra o Corinthians, no Pacaembu, Romário fez História. Começou penetrando pela lateral esquerda de seu reino – a grande área. Amaral, camisa 5, veio marcá-lo. Romário, impiedoso, não pensou duas vezes. Aplicou um elástico memorável. A rapidez do seu pé direito é imensurável. Amaral não teve chances. Quando começou a ir para o lado direito, a bola miraculosamente já vinha para o lado esquerdo. Uma fração de segundos que deixou Amaral procurando a bola no Pacaembu até hoje. Mas não foi só o inestimável elástico que deixa o gol inolvidável. A conclusão, de frente ao goleiro, com pouco ângulo, pelo alto, na gaveta, é perfeita.

Além do gol antológico, fez ainda outro, provocou a torcida e teve seu nome gritado pelos corintianos em pleno Pacaembu. Quem pode pode. Romário é o Rei da Área. Ninguém faz gol como ele, e esse maravilhoso gol pelo Flamengo contra o Corinthians prova isso.

Babe com a gloriosa obra-prima de Romário:

Gol Inesquecível Negativo

            Nem tudo são flores no mundo do futebol. Depois do gol absurdo do maior atacante que eu já vi jogar, atuando pelo meu time do coração, venho mostrar esse gol inesquecível para mim… infelizmente. Era a final do Campeonato Carioca de 1995. Fla-Flu, Maracanã lotado. Com sete anos, estava vendo o jogo no quarto dos meus pais. Certa hora fui obrigado a acompanhar minha mãe até a garagem para buscar uma mala no carro. O jogo estava 2 a 1 para o Fluminense. Longe da TV, ouvi gritos de gol, e voltando para o quarto, vi que o Flamengo havia empatado. 2 a 2. Com o empate, o Mengão se consagraria campeão. Implorei para minha mãe que descesse comigo até a garagem de novo. A superstição no futebol é grande. Acreditava que se estivesse longe da TV, de novo, meu Flamengo faria mais um gol e garantiria o título. Minha mãe não deu bola para meu pedido – não entendia o campo místico que envolve o futebol.

            Aos 43 do segundo, veio o maldito gol. Aílton faz misérias pela entrada da área e chuta forte. A bola entra. No replay, Renato Gaúcho aparece colocando a bola para dentro. Sim, é o gol de barriga do Renato Gaúcho. A imagem de Renato Gaúcho, correndo, com a faixa branca na cabeça, mais parecendo o Rambo, é inesquecível. O Flamengo não conseguiu se reerguer e foi derrotado pela barriga de Renato. Depois de chorar por alguns minutos, decidi me vingar de algum modo. Liguei milhões de vezes para a casa de um amigo tricolor. Sempre que atendiam, desligava correndo. Tentava me vingar em nome do Flamengo, mas o gol ainda continuava firme na minha cabeça e está até agora.

            Assista ao maldito Renato “Rambo” Gaúcho e sua barriga:

           

Gol Inesquecível Geral

            O gol mais inesquecível da minha vida não foi marcado pelo Flamengo. Nem pela seleção brasileira. Futebol tem dessas coisas. O gol mais bonito que já vi foi, veja só!, feito por um jogador do Corinthians. Na Vila Belmiro, o Corinthians enfrentou o Santos em 1996 e o jogo terminou 2 a 2. Mas o resultado pouco importa. A pintura de gol que foi o de Marcelinho Carioca vale por qualquer jogo. Por qualquer gol no mundo. É o gol mais bonito que eu vi enquanto vivo, enquanto pessoa física, enquanto presente no mundo – portanto, sem contar gols antigos; nem gols que, mesmo sendo feitos enquanto eu estava vivo, por motivo qualquer não pude acompanhar no momento em que foram feitos. Mas poucos poderiam superar o gol de Marcelinho. Mas isso é outra história. O que ele faz não tem parâmetros no futebol.

            Tupãzinho toca para Marcelinho, que de primeira, da entrada da área, toca com a parte lateral do pé e nesse mesmo movimento joga a bola por cima do zagueiro santista. Ele dá um balãozinho inédito, sem precedentes. Chegando na corrida, não pensa duas vezes e nessa espécie de toque, letra, sei lá, faz a bola voar por cima do zagueiro que fica a ver navios. A bola plana no ar, esperando Marcelinho ultrapassar o marcador. Em comunhão com o jogador, a bola cai, suave, certeira, na mira de seu pé direito. De novo de primeira, Marcelinho emenda pro gol. O movimento do chute é malandro, que nem Marcelinho, tem ginga, que nem Marcelinho, é cheio de estilo, que nem o gol de Marcelinho. O gol é Futebol, com “F” maiúsculo. O goleiro é Edinho, filho de Pelé. Grande Pelé, que fez tantos belos gols. Ironia seu filho, jogador do Santos, ser o goleiro que nada tinha para fazer depois de ficar frente a frente contra Marcelinho. Nem que quisesse, poderia fazer. Os deuses do futebol não iriam deixar. Depois de chapelar inesquecivelmente, Marcelinho não tinha como não fazer o gol. E fez. E vai ficar por muito tempo como o Meu Gol Inesquecível.

            Veja o quão genial é o gol de Marcelinho Carioca:

           

            Quem quiser, pode falar do seu gol inesquecível aqui nos comentários!


Uma resposta to “Meus gols inesquecíveis”

  1. fdpuc Says:

    Gols inesqueciveis tem vários mesmo.
    O gol positivo foi de Pet contra o Vasco, aquele foi sacanagem!
    O negativo? Sei lá talvez os dois do Santo André contra o Fla. Mais porque eu tava lá e não sei até agora como foi direito.

    O meu gol geral não foi bonito e sim gol de artilheiro malandro. Foi de Ronaldo Fenomeno, ainda franzino, no Cruzeiro contra o Bahia do já velhinho Rodolfo Rodrigues. No jogo o Fenomeno, que estava começando, fez 4 ou 5 não sei. Mas aquele que o goleiro deixa a bola no chão se lamenta de alguma coisa e ele “bati carteira” e da um biquinho e faz o gol é sensacional.
    Também teve aquele que Julio Cesar chuta a bola pra frente e a bola bate na cabeça do André Bahia, que desaba, e é gol. Contra o Bahia na fonte nova.

    Gol bonito tem vários, quanddo tem um bonito surge outro igual ou parecido. Esses inusitados são mais raros. Por isso levam o meu voto

    Também teve o gol aqui na tribo que foi lindo, mas esse não vale
    abraço do Arari

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