Geração de Ouro

Esse texto é para aqueles que acham que a geração atual não serve. Antigamente o mundo era melhor, as pessoas eram melhor. Em alguns aspectos pode até acontecer, mas acredito que a maioria dos casos a atual juventude leva vantagem. O esporte é um exemplo. Hoje em dia tem sorte quem vê os atletas que a cada dia entram pra história. Digamos uma “geração de ouro”. Acrescenta-se a isso estudos que aperfeiçoam os treinamentos e suplementos alimentares que melhoram significativamente os resultados. 

 No final de março, Michael Phelps bateu um recorde impressionante. Ganhou 7 medalhas de ouro no Mundial de Esportes Aquáticos realizado na Austrália. É o maior número de triunfos em uma mesma competição. Ele poderia ganhar a 8ª medalha na competição, mas isso não aconteceu, porque Ian Cocker, seu companheiro de equipe nos 4×100 medley, queimou a largada e eliminou o time americano. O antigo recorde pertencia ao australiano Ian Thorpe com 6 medalhas no mundial de Fukuoka em 2001.

Os nostálgicos se questionam: “E o Mike Spitz?”. Não me esqueci dele, mas creio que o recorde de 7 de medalhas de ouro em uma mesma Olimpíada, conquistado pelo ex-nadador americano, está com prazo de validade pra Pequim em 2008. Phelps chegou perto da marca, ganhou 6 nos últimos jogos em 2004 na cidade de Atenas.    

Outro fenômeno aquático recente é o surfista americano Kelly Slater. Oito vezes campeão do circuito WCT, principal competição de surf mundial, o americano já entrou pra história do esporte e com 35 anos de idade está com a “difícil” decisão entre continuar disputando a temporada 2007 ou se aposentar. Ele diz que não tem a mesma motivação nas etapas do campeonato. Para tomar a decisão final Kelly irá esperar os primeiros resultados do ano para decidir.

Quem espera que o maior ídolo da história do esporte não pare agora são os patrocinadores do WCT. A resposta é fácil, com ele disputando milhões de dólares serão investidos e trará mais exposição das marcas. Kelly Slater também é um fenômeno fora das ondas pelos romances mundialmente conhecidos. Quem está na lista do surfista são as belas Gisele Bundchen, Cameron Diaz e Pamela Anderson.    

Para algumas pessoas os donos de recordes nem sempre são os melhores. Isso gera muita discussão. Quem está sempre no centro dessa polêmica é o alemão Michael Schumacher. Heptacampeão mundial da Fórmula 1, ele bateu todos os recordes: número de vitórias, pole-positions, voltas na primeira colocação, quantidade de voltas rápidas. Enfim, quebrou todos de Nikki Lauda à Ayrton Senna. As pessoas podem contestar dizendo que ele não tinha adversários competentes pra ameaçá-lo, mas ele foi absoluto. Quando foi ameaçado por Mika Raikkonen, Damon Hill ou Jacques Villeneuve ele impôs sua superioridade.

Mais recentemente ele foi vencido por Fernando Alonso, mas a Ferrari já não era tão superior quanto os outros anos. Com 37 anos se aposentou com milhões de dólares não conta e “muito” campeão. Ayrton Senna teve muitos recordes quebrados pelo alemão, mas muitos o apontam como o maior de todos os tempos. Eles dizem que o brasileiro venceu em uma época em que havia concorrentes quase tão bons quanto ele, como Mansel, Piquet e Alain Prost.    

Se o assunto é falta de adversários com alto grau de dificuldade quem também é contestado é Roger Federer. O tenista suiço bateu o recorde de permanência na primeira colocação do ranking mundial, que antes pertencia à Jimi Connors. Federer também possui inúmeros recordes. Porém faltam duas marcas que o mantem motivado. Estes são bater o número de títulos do Grand Slam (os 4 principais torneios) que pertence a Pete Sampras com 14 títulos, atualmente ele está com 11. O outro é completar o “Grand Slam”, que é vencer todos os 4 torneios. Para o suiço falta apenas Roland Garros.

O principal adversário dele será o espanhol Rafael Nadal, especialista no saibro, tipo de piso do torneio francês. Os amantes do tênis sonham em um confronto entre o americano Pete Sampras contra o tenista suíço, ambos no auge da forma. O único encontro dos dois em quadra foi em Wimbledon em 2002, quando o americano estava parando de jogar e o suíço começando a estourar no circuito. Essa acho que é a mais difícil das escolhas de melhor da história. Maria Sharapova também já está na história do tênis mundial (não pude deixar de homenageá-la, ela ficaria chateada.).   

Há também atletas menos famosos aqui no Brasil, mas que são os maiores nos seus esportes. O negro Tiger Woods é um dos atletas que mais ganharam título e dinheiro no mundo. O golfista já venceu 12 vezes o Major Championship, os 4 maiores torneios do circuito e mais de 40 outros torneios. Quem também se encaixa nesse perfil de desconhecidos de grande parte do público brasileiro é a russa Yelena Isinbayeva. A saltadora com vara bate recorde quase todo mês. Atualmente são 20 recordes mundiais consecutivos. Campeã olímpica e mundial ela recebeu nos últimos 3 anos o prêmio da IAFF, distribuído para os melhores atletas do ano, votado por jornalistas do mundo inteiro. Mais um fenômeno do atletismo é o americano Michael Johnson muitas vezes campeão do mundo e olímpico ele ainda detem o recorde dos 200 e 400 metros. Ele era imbatível nas competições que disputava.    

Os grandes atletas não se restringem aos esportes individuais. Se o assunto for futebol, não vou ousar em tirar o reinado de Pelé, até porque ele é incontestável. Mas a atual geração viu alguns grandes jogadores e dois gênios. Zinedine Zidane e Romário. O primeiro apareceu para os brasileiros depois dos gols de cabeça na final da Copa de 98. O craque francês jogava com uma facilidade incrível, parecia que corria em câmera lenta com toques de classe que deixava a torcida de boca aberta, e tudo isso com o nariz impinado, no bom e velho estilo do povo francês. O carequinha estava fazendo tudo certo pra sua despedida. Final de Copa; havia marcado um golaço de pênalti; quase fez um gol de cabeça na prorrogação. Mas novamente a cabeçada marcaria sua carreira. Dessa vez não foi na bola e sim no peito do italiano Materazzi. Depois disso ele foi expulso e viu de fora seu país perder nos pênaltis. Mesmo saindo dessa maneira sua incrível habilidade não foi manchada. O brasileiro é o gênio do milésimo. Poucas vezes se viu na história do futebol um jogador com uma facilidade como a dele de fazer gol. Outro dia mais pra frente falaremos exclusivamente dele.    

Quando se fala em habilidade com os pés, o jogador de futsal brasileiro Falcão é uma referência e tanto. Basta ver algumas jogadas e dizer “Com alguns dias de treino eu faço isso”, ai é tentar e torcer pra não torcer um joelho ao pisar na bola. Os dribles fáceis, e sempre objetivos, se misturam com potentes chutes a gol tornando o brasileiro o maior jogador do mundo. Outra marca inconfundível de Falcão é a postura em quadra. A marra de sempre muitas vezes irrita os adversários, que pensam que as jogadas são formas de humilhar e não de tornar o esporte mais bonito.

O jogador já tentou duas vezes migrar para o campo, mas as duas foram frustradas. No Palmeiras ele só treinou com o grupo e não foi relacionado para nenhum jogo. Já no São Paulo, o craque teve como técnico Emerson Leão, quem deu poucas oportunidades para o jogador, irritando-o e fazendo com que ele voltasse para as quadras.    

Nos esportes coletivos surgem diversos jogadores que se destacam, mas alguns entram pra história como o melhor de todos os tempos. Essas discussões sempre são intermináveis. Uns dizem que antigamente o esporte era mais “fácil”, mas outros falam que os jogadores eram mais habilidosos, mesmo o esporte não sendo tão profissional como hoje. Alguns jogadores parecem agradar a todos e são considerados como uma lenda no esporte.   ‘

Michael Jordan é um caso de rara exceção. O jogador que começou jogando na universidade da Carolina do Norte é mais uma estrela da nova geração. O ex-atleta foi campeão da NBA (Liga Norte-Americana de Basquete) seis vezes pelo Chicago Bulls e ganhou duas medalhas de ouro em Olimpíadas. “Air Jordan” também recebeu diversos de prêmios individuais, entre eles 5 MVP (melhor jogador da temporada), 6 MVP FINALS (melhor jogador das finais) e o de atleta do século pela ESPY. Grande maioria dos americanos considera Jordan, que brilhou na década de 90, o melhor jogador da história do basquete.    

Além de atletas, times também se destacam. A geração de “ouro” tem o prazer de ver equipes como a seleção brasileira de vôlei ganhar todos campeonatos que disputam. Sob o comando de Bernardinho, a maior estrela. Atual campeão do Mundo, da Liga Mundial e das Olimpíadas o time brasileiro domina há 6 anos os campeonatos e em julho pretende vencer o Pan-americano, único titulo que falta. Três jogadores se destacam no time brasileiro. O levantador Ricardinho, que inovou com a velocidade imposta por ele, Giba pela força e precisão no ataque. Quem também se destaca é o líbero Sergio Escadinha. A posição é nova e tem menos de dez anos e deu uma nova dinâmica ao jogo. O jogador é especializado em defesa, deixando a bola mais tempo sem cair no chão.    

Algumas discussões sobre quem foi melhor não acabam nunca. Para alguns números dizem tudo, para outros não importam tanto. Outros nomes são quase unanimidades, mesmo que temporariamente. O que não se pode negar: atualmente há o maior número de esportistas que entraram pra história como um dos melhores, ou o melhor de todos os tempos. Uma geração de ouro que pode ser substituída, mas dá orgulho de ver. Podem argumentar dizendo que no passado era melhor ou que antes havia amor ao esporte e hoje é tudo comercial.Mas tantas estrelas assim será difícil de reunir novamente.  

PS: Não posso esquecer de dar os parabéns pra querida Maria Sharapova. É loiraça 20 aninhos, quem diria! Mais saúde e sucesso. Grande e beijo.

Uma resposta to “Geração de Ouro”

  1. fdpuc Says:

    Já te falei isso e repito: não acho que existe um preconceito contra a geração de hoje. Nunca ouvi dizerem que em todos os esportes há melhores competidores (com mais recordes e conquistas) ‘ontem’ do que ‘hoje’. No máximo, reclama-se que o futebol de outrora tinha mais “amor à camisa” do que o profissionalismo e “amor ao dinheiro” de hoje, e talvez até digam que tivemos mais craques no passado, mas ninguém nega que o futebol hoje tem gente boa. Mas ok, o futebol antigamente é BEM mais louvado.

    Agora, falar de surfe, golfe, natação, etc, nem é tão válido, porque além de não serem muito difundidos, nunca tiveram estrelas como a de hoje.

    E nunca ouvi de nenhum jogador antigo extremamente absrudode vôlei ou basquete (aqui, tirando o Kareem Abdul-Jabbar). Tênis até vai, mas ninguém nega que Federer é foda!

    Castello.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: