Surgimento de um personagem Playson

Explicação

Denise teve uma infância divertida, estudiosa e responsável. Filha mais velha de quatro descendentes diretos de europeus humildes, ela sempre teve que tomar conta dos mais novos e crescer muito rápido.

Menina de muita visão, inteligente e meio neurótica, ela nem sempre soube o que queria fazer da vida. Acabou na área biomédica por afinidade Química. Foi lá que ela conheceu o Ser. Uma pessoa admirável, séria e com muitas histórias para contar, além de um desenrole que compensava a baixa estatura física.

 

Orgulho de Ser

Filho de pais cegos, Ser também teve uma infância complicada. Sempre brigando com sua mãe, morou em carros abandonados durante algum tempo, até se acertar nos dormitórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro – sua segunda casa.

Outro filho da afinidade Química, Ser foi politicamente engajado durante a repressão da época da ditadura e chegou a ficar preso por algum tempo.

Adepto da teoria de que a vida continua, partiu com a bola dominada e virou professor, na sua segunda casa.

Um homem de poucas palavras, não tinha muita paciência para dar aulas na UFRJ. Mas foi assim que conheceu Denise. Uma menina morena, de cabelos compridos, muito bonita, com uma mentalidade muito além do que condizia com a sua idade.

Paixão a primeira vista.

 

Trovão. Chuva. Cólica. Sono. Deslocamento. Trabalho de parto. Nascimento.

Num dia desses aí do ano de 88 as cólicas começaram de novo. No ápice de seus 26 anos, Denise tenta virar para o lado e esquecer as dores. É só mais uma dorzinha dessas que vem de brinde com a gravidez.

Infelizmente pra ela, as cólicas iniciaram uma pausa rítmica, como uma música, e a conclusão era lógica: a criança estava nascendo. Distribuídas a cada 20 minutos, as contrações fizeram com que ela levantasse da cama e ligasse para o médico. Ele já estava de sobreaviso.

– Mario, acho que vai nascer. doendo muito.

– De quanto em quanto tempo elas estão vindo?

– Acho que de 20 em 20 minutos.

– Vai para o hospital. Te encontro lá.

 

O nome

Os pais de Denise têm alguma ligação com a Igreja Católica. Apesar de não muito intensa, a influência Apostólica Romana sempre esteve presente, desde a casa 8 até a casa 4.

Por isso – e também pelo fato de achar mais bonito – Denise queria que seu filho tivesse um nome com sete letras ao invés de seis. Depois de muitas idéias e sugestões chegou-se a uma conclusão. Uma decisão que demonstrava muita visão e muita inteligência, como de costume dos pais da criança que estava prestes a nascer.

A escolha definiria muitas das atitudes, dos pensamentos, dos sentimentos e dos gostos do futuro adolescente. O filho de Ser e Denise se chamaria Playson.

 

Parte complicada

 

Agora vinha a etapa mais difícil, ainda mais complexa do que as dores do parto: acordar o Ser. Ela se esforçou, tentou algumas vezes e nada. Quando finalmente conseguiu, ele implorou para dormir mais um pouco e sua vontade foi atendida. Ela terminou de arrumar a sua malinha e preparou-se para acordá-lo de novo.

As contrações vinham de 16 em 16 minutos.

Denise foi tentar novamente. Depois de muito esforço, finalmente Ser levantou. Depois de quase meia hora de tentativas.

Eles desceram até a garagem, pegaram o carro e atravessaram os dois quarteirões que separavam o casal do hospital.

Mario já estava lá. Ele tinha vindo como uma flecha da Ilha do Governador e indagou o por quê da demora.

As contrações vinham de 12 em 12 minutos.

 

As contrações vinham de 8 em 8 minutos.

 

Nascimento (de parto normal).

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