Personagens do Cinema no mundo do Futebol

            O mundo é sempre do Bem ou do Mal. Até no Big Brother Brasil sempre tem essa divisão. No mundo da ficção não poderia ser diferente. Desde histórias para crianças até para adultos há o personagem que faz coisas boas e o que faz coisas más.

No Cinema, na qual a identificação do espectador com os personagens é direta e imediata, também há o antagonismo entre dois papéis. Há sempre o Mocinho do Bem e o Bandido do Mal; desde os clássicos do faroeste americano até às recentes comédias românticas. E as histórias sempre evoluem do mesmo jeito.

O público logo descobre quem é quem, mas os outros personagens do enredo demoram pra se tocar. Enquanto não percebem quem é do Bem e quem é do Mal, vão sendo ludibriados pelo Mal, normalmente recém-chegado de outro lugar. Se o Mal consegue conquistar as pessoas, o Bem sempre se mete em confusões bobas e é logo tachado de Mal. Depois de se meter em inúmeras e aparentemente intermináveis situações que o comprometem, o Bem dá um jeito de mostrar a todos qual o seu lado da moeda. Contudo, mesmo depois de expor a verdadeira face do Mal, o Bem ainda sofre um revés perto do final da estória, no qual por motivos quase inexplicáveis, o Mal sai com sucesso de uma enrascada. Mas o Mal não pode vencer, esse é o papel do Bem. Desse modo, no clímax, o Mal é finalmente desmascarado, escorraçado da vida de todos e o Bem triunfa, vivendo feliz para sempre.

No time do Flamengo, a estória de Bem e Mal parece se repetir.

Recém-chegado do Botafogo, Claiton tem o biotipo perfeito para ser o Bandido da nossa história. Grande e forte, com cabelos estranhos e visual soturno, se encaixa como uma luva no papel de Mal. A redinha no cabelo e o cavanhaque não deixam dúvidas. Chegou ao Flamengo enganando a todos que era um grande jogador, líder nato do time e, além de ganhar vaga de titular no meio-de-campo, recebeu a braçadeira de capitão antes sequer de jogar uma partida.

Juninho Paulista é o Mocinho que todo roteirista sempre sonhou: belos traços, loiro de olhos azuis e cara de bonzinho. Chegou ao Flamengo como o grande reforço, craque, mas foi relegado ao banco de reservas. De reforço de peso passou inexplicavelmente para o papel de vilão, sendo recebido com críticas passando de: “o futebol carioca não precisa de reforços de nomes, e sim de jogadores simples, mas competentes” a “Juninho está velho, vai ficar no chinelinho”.

Juninho na reserva e Claiton como titular. No começo, o nosso vilão futebolístico conseguiu enganar torcedores e jornalistas, levando alguns a lhe darem status de salvador da pátria, de organizador do meio-campo. Juninho continuava velho, gordo, fora de forma, apesar de claramente ser a salvação para a ligação entre o meio-campo e o ataque do Flamengo. Sempre que entrava no segundo tempo, mostrava disposição, velocidade e habilidade.

Claiton, depois do talvez promissor começo, decaiu, virou peso morto. Lento e pesado, dava passes burocráticos ou mesmo os errava; sem tempo de bola, no combate era uma negação, não prestando ajuda qualquer ao Paulinho. Em resumo, não atacava nem defendia. Mesmo assim, continuava entrando como titular. Como esclarecido no começo, o Mal sempre se saía como vencedor das situações iniciais, mesmo não o sendo de verdade. O Bem ficava perdido em meio a calúnias; diziam que Juninho não tinha fôlego, mas o próprio alegava estar em plena forma física. Ele entrava no lugar de Claiton e dava melhor ritmo pro Flamengo, e com o tempo, Ney Franco e toda a torcida rubro-negra estavam convencida de que ele era a melhor solução. Enfim, o Mocinho se dá bem na nossa história.

Porém, nem tudo são flores para as verdadeiras pessoas do Bem. Mesmo conquistando vitórias com belas exibições, Juninho foi contestado mais uma vez. As derrotas nos clássicos contra Vasco e Fluminense funcionaram como o revés que todo Mocinho sofre perto do fim. A entrada do veloz jogador loiro estava prejudicando o conjunto do time, dando mais espaços para o adversário e menos consistência para o Flamengo. Claiton volta para o time e reassume a braçadeira de capitão, mesmo depôs de ficar alguns jogos na geladeira, sentado os 90 minutos no banco de reservas.

O futuro do time titular do Flamengo é ainda uma incógnita. O roteirista dessa história é o técnico Ney Franco, ele quem decide o entra e sai de jogadores. Pelo que podemos analisar dos acontecimentos até o dia de hoje, comparando com as recorrentes reviravoltas que normalmente acontecessem no embate entre Mocinhos e Bandidos, Claiton acabará fora do time e Juninho se consolidará como eterno titular. Porém, ainda resta o clímax, no qual o vilão será totalmente desmascarado pelo herói, depois de muito sufoco. O público chega a achar que não haverá final feliz para o Mocinho, mas ele enfim triunfa.

No Flamengo, quando que se dará? Ainda na fase de grupos da Libertadores? Ou só nas oitavas? Na final do campeonato Carioca? Ou Claiton resistirá até o começo do Brasileirão?

Fato é que, Juninho, nosso herói e Mocinho, ainda tem tempo e derrotará o cruel vilão Claiton, para alegria de todo público pagante e não-pagante.

 

————–

Arari, até quando vamos boiar no Maracanã em busca do sonhado gol? Passo a bola do milésimo pra você.

Uma resposta to “Personagens do Cinema no mundo do Futebol”

  1. Laura Says:

    O texto em si, aprovado, apesar de não ser uma obra prima literária como os outros, certo Castello?! =p

    Agora, convenhamos que de mocinho, Juninho paulista não tem NADA!

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