Meu certo cinema

Estou inaugurando hoje meu espaço nesse blog, e aproveito para apresentar rapidamente o que acontecerá comigo e com ele. Compartilhado por três jovens estudantes de Comunicação Social, o blog não pretende muito, mas não quer voar baixo. Os assuntos abordados serão diversos: em pelo menos seis dias da semana um novo texto será publicado, indo de cinema – ministrado principalmente por mim – a esportes, passando por cultura em geral e baboseiras interessantes e desinteressantes. Cliquem e aproveitem!

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O que você vai querer fazer?

Cinema.

Ih, vai ser pobre, hein.

 

Não adianta me dizer isso. Eu já sei. Vou ser pobre, tudo bem. Me deixe ser. Não precisa jogar na minha cara que você vai fazer publicidade e vai ganhar rios de dinheiro pra pensar em um slogan milionário; ou que vai ganhar dez mil num estágio dentro de uma firma de advocacia. Não me interessa. Desde criança que eu ouço pra eu “seguir meus instintos” e se não der certo, “que se foda, você tenta de novo”. Meu instinto hoje é fazer Cinema. Às vezes eu posso duvidar se é realmente isso que eu quero, mas tem vezes que recebo confirmações que me deixam claro que esse é meu caminho aconteça o que acontecer. Seja vendo filmes e sentindo o poder transformador de cada movimento de câmera ou seja fazendo meu próprio filme.

Ir para São Paulo editar meu primeiro grande curta-metragem me deixou nada menos que empolgado. Robert Bresson, cineasta francês, disse que o filme nasce três vezes e morre duas. Nasce nas idéias, mas morre no roteiro; vive de novo pelas pessoas e pelos objetivos filmados, mas morre na película – no meu caso, morreu na fita DV; sua próxima volta à vida, além de definitiva, é a mais consagradora: na edição, onde tudo entra na perfeita ordem. Ver um filme nascendo é maravilhoso. Ver as cenas se juntando, fazendo sentido. É a mágica do cinema. É a minha magia. Pode ser uma magia que dê pouco dinheiro, mas andar por aí com um DVD que você pode apresentar como “meu filme” não tem preço. Quem dirá comprar ingresso no Unibanco Arteplex para ver seu próprio filme?

Depois de algumas experiências toscas com vídeos caseiros, Um Certo Adeus realmente me mostrou que o cinema existe, apesar de todas as complicações. Não é fácil. Demorou pra achar atores. Demorou pra achar uma data pra gravar. Quando chegou a data, choveu. Quando chegou a nova data, não deu. Na próxima data, não tínhamos equipamento. Demorou pra conseguir equipamento. Só na quarta data conseguimos enfim gravar. O equipamento não foi barato. Tivemos que correr contra o tempo e terminar toda a gravação em um dia para só pagar uma diária. O que deixou a todos feliz foi o filme nascer pela segunda vez, com os atores contracenando e o ambiente ajudando. Depois de dois meses, digamos, descansando, voltou a viver. Não foi barato de novo. Não foi fácil. Mas viveu. Isso que importa.

Enfim, editado, ele ressucitou, exalando a mais pura vida, cheio de frescor. Cada corte, cada fade, cada cena, cada tempo de cada cena, cada gesto dos personagens, cada diálogo, cada movimento de câmera, cada tudo é novo, mesmo sendo visto mil vezes por mim num mesmo dia. No meu primeiro curta de verdade, tudo é vida, tudo é cinema, mesmo que para certas pessoas não seja, mesmo que para mim em alguns dias, meses, anos, não seja, hoje é minha realidade, meu motivo de orgulho, minha inspiração para futuros trabalhos. Eu não me canso de Um Certo Adeus, tampouco quero dar um certo adeus para o cinema tão cedo.

2 Respostas to “Meu certo cinema”

  1. Laura Says:

    ótimo texto. Adorei o titulo. Apesar de supeita pra falar, tenho certeza que não sou a única a ver o como você escreve bem.
    Amor pelo cinema, orgulho do seu próprio trabalho. Seu nariz é lindo de mais. =p

  2. Lívia Says:

    cara adorei seu texto!
    ha mto tempo, eu fiz uma peça que tinha a seguinte fala:

    – o meu pai vive buzinando no meu ouvido, vai querer ser artista? artista no brasil morre de fome.
    Mas outro dia a gente viu na televisao um engenheiro dirigindo um taxi e um advogado que tava sem trabalho ha um tempãoo. Ai eu disse pra ele, vou ser artista sim. se todo mundo ta duro é melhor ficar duro fazendo o que eu gosto.

    ahh sei lá, eu lembrei disso qd li!
    achei cabivel o comentario hahah
    beijos!

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