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Canal 100 x São Paulo

12 Novembro, 2007

O São Paulo não combina com o Canal 100. Isso, digo na lata, sem rodeios. Direto ao ponto. O campeão brasileiro de 2007 não se sairia bem nas câmeras do Canal 100.

Explico.

O Canal 100 ficou marcado pelo modo inovador que registrou partidas de futebol. Diferente de tudo que se fazia na época em que existiu (1958 – 1986); e diferente de tudo que foi inventado até hoje.

A câmera era na altura dos jogadores, como se o espectador estivesse na geral. Mas era melhor que a geral, porque onde a bola fosse a câmera ia atrás. Não só isso, o Canal 100 exibia todos os lances em câmera lenta. O futebol se transformava em espetáculo, em obra de arte.

Vendo os filmes do Canal 100, tem-se a impressão de que o tempo passa diferente. Os cinegrafistas e editores dilataram o tempo até criar uma nova cadeia espaço-temporal especial pro torcedor, agora na sala de cinema. O Canal 100 focava o detalhe, dava tempo aos jogadores, olhava de perto a dúvida do passe, a preparação do drible. A câmera lenta mostrava cada segundo da angústia do goleiro frente à bola, focava o pé do armador no momento do passe. Uma simples jogada era a ocasião mais importante do dia.

 

 

A magia do “futebol Canal 100″

O futebol era um grande baile de artistas, cheios de paixão e de criatividade, passíveis de hesitação, expostos ao erro, mas, é claro, brindados com uma brilhante jogada e um golaço.

O São Paulo Futebol Clube não tem nada disso. O futebol do clube paulista é mecânico, duro, enrijecido. Muricy Ramalho não quer um espetáculo, ele quer o resultado, oras, a vitória acima de qualquer coisa. Em vez de paixão, há pura e simples dedicação. O talento não ocupa nem 10%, é cem por cento transpiração. Não é isso, afinal, o que importa? Ganhar, ganhar, ganhar.

A “eficiência burocrática” do São Paulo

 

A “eficiência burocrática” são-paulina

Não pro Canal 100. Não pro craque, pra centelha de inspiração que pode acender a qualquer momento. O Canal 100 talvez não se importe com o resultado, tanto que em muitos de seus cinejornais não havia imagens de todos os gols da partida. O futebol estava em um plano muito mais alto do que a engenhoca de muricys, parreiras e afins.

O São Paulo é um time muito perfeito para o Canal 100. O jogador sabe pra onde tocar antes de pegar na bola, e efetua a jogada como quem anda pra frente, sem pensar. Robôs presos a esquemas táticos.

O Canal 100 não buscava o futebol imperfeito, mas o futebol verdadeiro, apaixonado e apaixonante.

Como o São Paulo, muitos outros. E se o exemplo do “futebol vencedor” prevalecer, o Canal 100 continuará sem poder desfraldar suas lentes. Talvez seja melhor assim, pois não merece registrar em suas grandiosas lentes o futebol morto dos dias de hoje.

Radinho de pilha

11 Novembro, 2007

11 de novembro de 2007. Flamengo x Santos. Estádio Jornalista Mário Filho.

Cabelos brancos, barba grande, óculos fundo:

– Ninguém hoje mais tem radinho, né…

Cabelo branco curto, pele marcada do tempo, levanta devagar os ombros como dissesse:

– É, outros tempos.

 

O radinho ficou marcado. Cena comum era um torcedor aflito com um rádio de pilha, coitado!, espremido contra a orelha, se esforçando para fazer com que a voz do locutor ficasse mais forte que a massa cantando em volta.

A torcida ainda faz festa. O rádio que não vem mais pra acompanhar.

São poucos os assíduos ouvintes que ainda carregam ao Maracanã o antes indispensável aparelho. De vez em quando, se vê um “velho com radinho”. Poucos, pouquíssimos. No Maracanã, ficam sentados sozinhos. Sozinhos, aliás, pra quem vê. Um “velho do radinho” nunca está só – a companhia é a voz presente no AM ou FM.

Segue a tradição. O velhinho chega ao Maracanã, senta no lugar de sempre, sintoniza na estação preferida e espera o locutor soltar seus bordões na voz já eternizada pelo alto-falante do radinho.

Quando avistados, passam a ser ponto de referência nas arquibancadas.

Se o juiz não dá o pênalti, todos em volta perguntam ao velhinho “o que o rádio falou?”. Se o impedimento é duvidoso, emendam direto, “foi ou não foi?”. Se um jogador corre pra entrar em campo, não hesitam: “quem sai?”.

O radinho de pilha sabe. O rádio sempre sabe antes do torcedor. E se o rádio sabe, o “velhinho do rádio” também sabe.

Em tempos de vinte câmeras em campo, pay-per-view, replay e câmera lenta, o fanático no estádio ainda pode recorrer ao bom e velho aparelho radiofônico. Suas ondas vêem o lance de perto, entendem primeiro, dizem antes.

A realidade é, como constataram os senhores saudosos do jogo de hoje, o sumiço dos radinhos. As pilhas foram trocadas. Mesmo eles, antigos donos de um surrado e quadrado radinho de pilha, hoje já não levam ao estádio os antigos companheiros.

Certas coisas mudam. Mas marcam gerações. E ficam na memória, de quando o futebol era drible, o lançamento, a triangulação, o canto da torcida e o chiado do radinho de pilha.

A aventura de uma autocrítica

14 Agosto, 2007

Martin Scorsese e eu compartilhamos de alguns gostos musicais e cinematográficos (e talvez alguns gastronômicos) mas não temos nenhum amigo em comum no Orkut.

O baixinho ítalo-americano de sobrancelhas grossas provavelmente nunca ouviu falar de mim e tampouco deve imaginar que um estudante brasileiro de 19 anos esteja postando nesse exato momento em um blog sobre como ele o ensinou a escrever sobre sua primeira experiência com Michelangelo Antonioni.

No dia 08/08, publiquei A minha aventura com Antonioni, no qual narrei o dia em que vi A Aventura pela primeira vez. Contaram pro Scorsese que haviam escrito um texto com essa temática – e que este estava terrivelmente mal-escrito – e ele decidiu, humildemente, mostrar como deve se portar um cinéfilo com ambições literárias ao descrever seus sentimentos frente a um filme.

Quatro dias depois, em 12/08, Martin Scorsese teve seu texto The Man Who Set Film Free publicado em um veículo ligeiramente mais respeitado que o Filhos da PUC – o New York Times.

Ele voltou a 1961, o ano de estréia de L’Avventura, pra fazer uma análise do que sentiu ao assistir pela primeira vez o filme de Antonioni. Contudo, a fez de maneira mais clara e pungente do que eu. Restaram a mim, como comentou precisamente o americano, alguns adjetivos em excesso, que não servem pra nada, apenas pra nariz-de-cerar o texto. É falar, falar, falar e dizer pouca coisa, quase nada.

O comentário do americano já tinha aberto meus olhos e me feito refletir sobre isso, mas o texto do Scorsese foi a razão para eu (re)pensar melhor e escrever uma autocrítica construtiva.

Desde que escrevo para o blog tento chegar a um estilo que seja o mais informal possível dentro de padrões aceitáveis de leitura e compreensão. Há o limite entre o verbal e o escrito, claro, mas floreamentos de linguagem só servem pra mascarar o que se quer dizer, principalmente num blog (ou em textos jornalísticos (há, claro, questões de estilo em editorias ou livros, mas isso é outra história)).  

Esse não é um tema novo. Na verdade, não faço idéia de quantas discussões, quantas mesas-redondas, debates, livros, autores, estudos, teses, etc, já tiveram discutindo isso. Também não faço idéia de quantas vezes eu já li sobre isso, já ouvi falar, já discuti esse assunto, tudo. O pior é que eu sei disso, mas quando começo a escrever às vezes me distraio, me deixo levar pelo caminho mais fácil, não me toco de quão distanciado e enfadonho fica um texto como esse meu último. Criar seu estilo próprio de contar as coisas é muito mais saudável do que contar como todo mundo faz.

Digo isso principalmente a partir do momento no post em que relato o que senti vendo A Aventura. Confesso (sem modéstia) que minha decepção com a fita de Blow-Up é emocionante. Quando, no entanto, chego na parte em que alugo e vejo A Aventura, meu texto poderia ser escrito por qualquer zé-mané, por ter clichês atrás de clichês, sem nada realmente palpável. Não mostro meu estilo, não fui autêntico, espontâneo – fui igual aos outros, igual com minhas falsas palavras e meias-explicações.

Não se pode fugir, claro, desses “clichês”, afinal, são boa parte deles que ajudam a realmente descrever o cinema do Antonioni. O americano comentou dizendo que meu texto era sincero – e talvez isso ele seja de verdade, mesmo com esses lugares-comuns convencionais; sinceridade essa que acaba por se esconder nas palavras, enquanto que ela deveria aparecer por causa delas. Toda essa sinceridade embutida desaparece no rebusque formal.

O que Scorsese faz é unir esses “clichês” com a descrição de seqüências e relação com as cenas do filme. Se no rádio o bom repórter é aquele que evita frases prontas e utiliza a riqueza dos detalhes para ser os “olhos” e “ouvidos” do ouvinte (e assim, podendo até dizer também coisas como “o clima está tenso no aeroporto de Congonhas após a colisão do avião”), Scorsese foi nossa memória, fazendo com que lembrássemos do filme e o entendêssemos por meio de suas explicações. E mesmo quem não assistiu à L’Avventura pode captar suas palavras, porque ele especifica, faz um texto inseparável do filme, honesto, em que aborda o cinema de seu ponto de vista. O meu texto, por sua vez, é quase aleatório: dá pra recortar partes e colar em qualquer lugar que poderia se encaixar.

Espero que esse texto aqui tenha sido mais sincero e interessante. Ao longo desses poucos – porém intensos – meses de blog, tento sempre me aperfeiçoar e me encaixar no esquema-internet, onde a informação é infinita e o tempo escasso. As críticas são sempre bem vindas e serão bem recebidas por mim, porque, afinal, sou (somos) apenas um projeto em desenvolvimento.

A minha aventura com Antonioni

8 Agosto, 2007

Ingmar Bergman, diretor de cinema sueco, morreu na segunda-feira dia 30, como é de conhecimento geral. Nessa noite, minha namorada me liga comentando o assunto e pergunta se eu fiquei triste com a notícia. Gosto muito dos filmes do Bergman, mas sua morte não me afetou pessoalmente. Pensei (mas não falei) que se o Antonioni morresse ficaria triste.

Na manhã seguinte, tenho o seguinte diálogo com meu pai:

- Castello, viu que mais um cineasta morreu?

- Não, quem foi agora?

- O Antonioni.

- Mentira!

- É, ouvi hoje no rádio.

 

Antonioni

                                                Todo o charme de Antonioni

Minha relação com Antonioni começou no final de 2003-começo de 2004, durante minha busca incontrolável e incessante pelos filmes dos grandes mestres do cinema; aqueles de sempre, consagradíssimos, importantíssimos, etc. Depois de Bergmans e Fellinis, Kurosawas e Kubricks, chegava a vez dos Godards e Antonionis.

Michelangelo Antonioni, nome complicado, que eu sempre chamava erradamente de Antonini. Ouvia falar de seus filmes sem nunca tê-los visto, achava que os conhecia, sentia que já me aproximava do seu cinema sem nunca ter me deparado com um mísero enquadramento ou movimento de câmera. Sonhava com seu nome, seus filmes imaginários, com fortes italianos e belas italianas; com o nome de seus filmes, o curioso L’Avventura, o explosivo Blow-Up, o misterioso L’Eclisse, o diferente Profissão: Repórter.

Um dia de janeiro fui à Estação Paissandu em busca de seus filmes, em especial Blow-Up. Entre alguns DVD’s, achei Blow-Up em fita – sem nem pensar, aluguei. Depois de tanto pensando em Antonioni, tinha uma cópia comigo, a qual revirava, lia sinopses e admirava as pequenas fotos.

 

David Hemmings e Vanessa Redgrave em Blow-up

                                      David Hemmings e Vanessa Redgrave em Blow-up

Chegando em casa, entre os outros filmes também alugados (Gritos e Sussurros, Rocco e Seus Irmãos, Céu e Inferno e Stalker – viu como era uma busca pelos grandes nomes?), Blow-Up era indubitavelmente o filme a ser visto naquela tarde. Coloco a fita, mas meu vídeo pulguento hesita em colaborar comigo: chia, treme, tela azul, cospe a fita de volta.

Inconformado, continuei por mais meia-hora nessa luta contra o maldito vídeo, que insistia em me privar do tão falado Antonioni. Não adiantava. Fiquei desolado, perdido, inconfortavelmente solitário, isolado em um mundo opressor sem nem mesmo ter contato com a temática de Antonioni. Imerso no silêncio, me veio uma idéia salvadora, porque aquele tinha que ser o dia do meu primeiro contato com aquele famoso cineasta italiano.

Voltei correndo pra locadora dizendo que meu Blow-Up estava estragado. O cara testou a fita e funcionou. Por alguns segundos, eu vi imagens do filme, mas logo desviei o olhar para não estragar o momento. Sensibilizado pela minha paixão ainda não correspondida por Antonioni, o atendente venceu a incomunicabilidade humana e me disse para alugar outro filme. Corri pra prateleira do Antonioni e segurei com força L’Avventura.

- Agora é DVD, com certeza funciona, exclamei patético e triunfante.

L’Avventura, A Aventura. A capa: uma translúcida e belíssima Monica Vitti sobre um colorido pôr-do-sol na costa da Sicília. A sinopse: entre outras coisas, uma reflexão sobre a condição humana frente os outros humanos, sobre a própria existência do ser e a relação com o mundo. Coisa ruim não ia ser.

 

Capa do DVD de L'Avventura

A capa do DVD de L’Avventura

O filme começou e não sei explicar exatamente o que se passou comigo nos 143 minutos seguintes. Encurralado contra o sofá, estava maravilhado com as imagens, arrebatado pelos enquadramentos inspiradores, pelos personagens deslocados, mise-en-scene deflagradora, sempre à procura de algo, de uma vida. Minhas expectativas eram altíssimas e não foram decepcionadas. Assisti ao filme sem piscar, sem respirar. Antonioni me trazia um novo mundo, com seu próprio tempo, ritmo e atmosfera, com sua própria diagramação e encadeamento de planos. Estava sendo conduzido pela mão para dentro do filme, pelo próprio Antonioni, colocado naquela Itália preta-e-branca, sozinho em meio aos outros personagens, em meio ao resto do mundo, em busca de algo, de um sopro de vida. Os espaços abertos da Sicília, o mar, as ilhas.

 

L'Avventura

Os personagens de L’Avventura isolados dentro do mundo – o banco frágil, a parede que divide, o mar que segue infinito

Quando se é apaixonado pelo cinema em janeiro de 2004 com 16 anos, um filme que ataca os valores de uma sociedade e investiga a crise de um relacionamento de um modo não-convencional e ao mesmo tempo tão intimista, é alçado à condição de obra-prima.

E isso que L’Avventura foi. Um filme magistral que capturou meu olhar e logo foi figura fácil entre meus filmes preferidos.

A Aventura foi a porta de entrada para o mundo de Antonioni. Veio, enfim, Blow-Up (só funcionou no vídeo da minha tia), com sua inovação desafiadora de linguagem e uma cena final inesquecível; Profissão: Repórter, forte, delirante, e ainda tinha uma cena de sete minutos em que, sem cortas, a câmera atravessava uma janela com grades (!); o visual opressor de fumaça e civilização em Deserto Vermelho; o resto da trilogia do Antonioni (trilogia da incomunicabilidade? Trilogia da mulher moderna? Chame como quiser, trilogia da vida), A Noite e O Eclipse, os pares Jeanne Moreau e Marcelo Mastroiani do primeiro, ricos e entediados; ou Monica Vitti e Alain Delon, no segundo, sugados pelo mundo contemporâneo em que vivem – detalhe particular pra seqüência final. E mais e mais. Foram tantos, são tantos.

Antonioni morreu, mas nos deixou de presente o seu Cinema para que possamos assistir, admirar e discutir para sempre.

FdPUC no PAN

29 Julho, 2007

Do mascote Cauê ao recordista de ouros Thiago Pereira, o Filhos da PUC foi presença garantida no Pan Rio 2007.

Mascote Cauê

Edinanci

Tiago Camilo

Bernardinho

Marta

Franklin

Thiago Pereira

Jadel Gregório

Vem aí o maior movimento de posts do Brasil

27 Julho, 2007

Há um mês, foi anunciado que o Filhos da PUC teria uma volta triunfal, remodelado e boladão.

Oito (8) posts e um soneto (quase) decassílabo depois, o tão anunciado retorno terá que ser remarcado para o dia 6 de agosto.

Sabemos, fomos descuidados e desleixados, ignoramos nosso mais precioso bem, o assíduo leitor (agora 13, porque Paula Richard está de férias no Haiti durante 3 meses pesquisando material para seu próximo trabalho, a nova novela da Record que terá núcleo no Rio e em Porto Príncipe; e nada de internet lá).

Sabemos que você, leitor, veio aqui assiduamente em busca de frescor literário e jornalístico mas se deparou com moscas, teias de aranha, bolas de poeira, uma xícara de café suja, metade de um croissant, um pé de meia amarelo com bolinhas pretas, uma camisinha usada e uma tampa de caneta bic azul.

Não achando nada para ler, procurou outras coisas e se deparou com assuntos chatos.

Então, esqueça tudo isso:

TAM

Rio 2007

e no dia 6 de agosto, volte seus cliques para http://fdpuc.wordpress.com.

Vem aí o maior movimento de posts do Brasil.

Post em resposta à resposta de Paula Richard

6 Julho, 2007

Ela voltou. Depois de um mês e cinco dias, Paula Richard retornou ao Filhos da PUC. De 18 de maio a 23 de junho esperamos ansiosamente que ela voltasse a nos presentear com suas palavras vazias e evasivas. Foram dias de angústia e sofrimento, nos quais o botão de Atualizar foi usado sem parar. Não adiantava, ela não acessava o blog. Sentíamos como se algo não estivesse completo, que as palavras tão ignorantemente sinceras de Paula Richard fossem precisas para que o blog florescesse.

A minha relação com a Paula, no entanto, é ambígua. Se por um lado espero que ela se pronuncie, anseio por seus comentários, quando eles chegam, me trazem uma frustração inexplicável. Era como se eu esperasse que ela viesse com argumentos sólidos para rebater as críticas, e não frases frouxas, que fogem do assunto, se esvaem dentro de uma vontade de se mostrar mais superior e com mais conhecimento televisivo do que eu, do alto de seu diploma de Comunicação Social com habilitação em jornalismo pela Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro.

Paula me diz que eu não sei como funciona a produção de uma novela. Justo: infelizmente nunca estive envolvido em uma. Sabendo disso, pedi a ela que me explicasse, recebendo então o esclarecimento de que um autor é muito ocupado para estar presente em todas as gravações de seu roteiro – o que é, mais uma vez, justo. Vidas Opostas vai ao ar seis dias na semana, e se Marcílio Moraes tiver que passar o dia inteiro em um estúdio de gravação, sua mente criativa não é posta para trabalhar. Justo que ele não esteja presente nas gravações. O que não é justo, com Marcílio e com todos nós, é que seu roteiro seja manchado e nos ouvidos sejam sujos.

O diálogo que ele próprio elaborou não pode ser dito errado dessa forma. O que originou meu primeiro post foi o “ter morto” no lugar de “ter matado”, um erro que não custa trazer à tona de novo. Tem que ser falado para que se entenda que este não pode ser corrigido depois que o capítulo vá ao ar. Tem que ser identificado na hora, no momento da gravação. Quando Lucinha Lins disse “ter morto”, alguém presente no estúdio – algum dos diretores ou quem seja – deveria ter pulado da cadeira e mandado a cena ser refeita.

Se o Marcílio é ocupado, que ele arranje alguém para acompanhar as gravações (eu me candidato, mediante o pagamento de um salário mínimo), que esteja em dia com seu roteiro, com suas palavras, para que não deixe passar equívocos como esses.

Ao Marcílio, ainda não posso pedir desculpas. Ainda o vejo como parcial culpado do ocorrido – como bem expus em todos os meus posts.

Mas, cara Paula, se você não quer apontar culpado pelo “ter morto”, serei solidário, mesmo sabendo que existe um elenco inteiro de responsáveis por essa falha. E também sabendo que sua língua está coçando para dizer os culpados, mas tem que manter a pose de defender a todos.

Abraços e beijos do Filho da PUC Castello, que continua aguardando sua volta, mesmo dentro desse conflito de amor-e-ódio.

“Tem um real?”

27 Junho, 2007

A cada dia que passa, essa pergunta tem se tornado mais freqüente nas ruas do Rio de Janeiro – e não vem de mendigos ou pedintes, mas sim de vendedores e caixas em geral.

Em 23 de dezembro de 2005, as notas de um real deixaram de ser impressas, sendo substituídas pelas moedas de mesmo valor, que passaram a ter maior circulação. Além da eminente morte da nota de um real, também é a morte do verde como símbolo de dinheiro. Admitamos que azul e cinza (2), violeta (5), carmim (10), amarelo e laranja (20), marrom (50) e azul (100) não são cores dignas de dinheiro.

Desconsiderando problemas com cores, é de conhecimento geral que ninguém gosta de moedas, por serem inconvenientes e “pesos mortos” – mesmo valendo um real.

A maioria das carteiras não tem espaços para se guardar moedas, e carregar por aí um porta-níquel é, além de desagradável, torturante. Se você não usa bolsa, não tem onde guardar. Mesmo se usa, é mais uma coisa para levar junto. Quando recebe uma moeda, tem que tirar o porta-níquel da bolsa (ou mochila), abrir o zíper, colocar a moeda, fechar o zíper e colocar de volta. Isso tudo com a carteira na mão. Ainda, muitas vezes ele é esquecido dentro da bolsa (ou mochila), porque o procedimento é o mesmo para se tirar as moedas. 

Se você tem uma daquelas carteiras com espaço para moeda, a tarefa é tão árdua quanto. Normalmente, essas partes são pequenas e escondidas, para não deixar a carteira gorda. Quando se tenta colocar as moedas dentro, é preciso tomar cuidado para não deixar notas e cartões caírem, pois esses compartimentos nunca são na mesma direção e acabam prejudicando a estabilidade dos outros objetos guardados na carteira.

A decisão de substituir gradativamente as notas por moedas de um não traz benefícios; nem deixa a população escolher qual meio monetário ela prefere. E o Banco Central é firme em sua decisão, a ver pela diferença em quantidade de circulação entre notas e moedas.

No dia 26 de junho (ontem), segundo dados atualizados do site do Banco Central do Brasil, havia 348.818.561 notas de um real em circulação, contra 734.068.539 moedas. Como se vê, é mais que o dobro. E o número de notas vai diminuindo a cada dia. Do dia 25 de junho para o dia 26, 732 mil e 94 notas saíram de circulação, enquanto as moedas tiveram um reforço de exatas 599 mil e 965.

Fato é: as moedas estão crescendo vertiginosamente, já se tornaram uma realidade para assolar nossas vidas e carteiras.

Pois é, ninguém gosta de receber moedas, e os caixas tentam ao máximo evitar distribuí-las – pelo menos os altruístas e de bom coração. A pergunta “tem um real?” é válida e pertinente quando há valores terminados em 1 e 6 e não se tem dinheiro trocado. O negócio custa 11, mas você só tem 15. Para não ter que te dar quatro moedas de um, o caixa pergunta se você tem um real trocado, para que ele te dê uma nota de cinco, bem mais confortável e leve. Esse procedimento se repete com qualquer valor que dê para se trocar moedas por notas.

A grande concorrente (e altamente preferida entre as pessoas) da moeda de um é a nota de dois. Entrou em circulação em 2002 e hoje já é a terceira nota de maior circulação no país – só perde pra de 50 e pra de dez –, com 475.295.107 cédulas rodando por aí no dia 26/06.

A nota de dois é perfeita para ser entregue em casos de valores terminando em 1 e 6, além de trazer um frescor ao real, junto com a de 20, renovando as já saturadas notas.

O que complica é o anúncio do Banco Central, em 24 de janeiro de 2007, de que será lançada a moeda de dois reais.

Pelo menos elas serão apenas comemorativas em homenagem ao Pan e custarão 15 reais cada, não aparecendo como sucessoras reais das cédulas.

Mas a pergunta que não quer calar é: o que o Banco Central tanto vê em moedas, afinal?

Querida, chegamos

27 Junho, 2007

Dez dias depois de recesso declarado pelo colega americano, escrevo para revelar a volta do Filhos da PUC.

Sim, estamos de volta.

Nossos 14 leitores (corre solta a notícia de que Paula Richard agora é leitora assídua) podem se tranquilizar: estamos bem, só estávamos com dificuldades de fim-de-período. Entre provas, trabalhos, estresses e apendicites, os três Filhos da PUC saem ilesos (um deles sem apêndice) dessa correria das últimas semanas, para voltar à ativa, em que continuaremos a honrar nossa mãe – a PUC – e nossa tia – a pauta, a quem tanto ficamos devendo.

Como um convalescente que retorna à casa depois de alguns dias no hospital, o Filhos da PUC promete vida nova e novidades para as férias. Trará um novo olhar sob os acontecimentos do mundo e da rotina, terá troca de dias entre colunistas, e ainda contará com a presença de colunistas convidados que escreverão junto conosco em dias especiais.

Em meio a novidades e novos olhares, decreto o Re-Início do Filhos da PUC. Criado em 27 de março, com 5,286 visitas até hoje, marco nesse 27 de junho, três meses depois, com o 71º post, a nossa volta:

Querida, chegamos.

Dino

E tomaram sorvete como se não houvesse freezer amanhã

13 Junho, 2007

Diante de um freezer com 29 opções de sorvete, provaram os primeiros 17 sabores para terem certeza qual cada um iria tomar. Ele optou pelo mais simples e casual, uma bola na casquinha da verdadeira polpa de maracujá. Ela teve escolha mais inusitada: sorvete de brownie. A improvável transformação do bolo de chocolate quente em sorvete gelado provocou nela um desejo inexplicável, incompreendido e repentino: era de brownie e nenhum dos anteriores 16 ou dos próximos 12 sabores seriam mais proveitosos.

Ele pagou os sorvetes. Com a mão esquerda, ele segurava a casquinha de maracujá; com a direita, segurava a mão esquerda dela, que com a direita segurava a sua casquinha de brownie. Assim continuaram a andar sem rumo. Entre pedidos dela para experimentar o maracujá e dele para experimentar o brownie, misturavam os sabores assim como suas mãos se misturavam.

Os olhares furtivos e os sorrisos ligeiros e apaixonados mostravam que por mais que a bola e a casquinha fossem inexoravelmente devoradas, o amor entre eles iria permanecer.

Os passos seguiram embalados pelo agradável gosto de sorvete em tarde de temperatura amena; e pela deliciosa companhia alheia num fim de tarde de clima potencialmente melancólico, porém, transformado em entusiasmo explosivo por causa da presença do outro.

De vez em quando, ela pegava o guardanapo e, rindo, limpava o canto da boca dele, suja com restinhos do sorvete de maracujá. Ele – sem não antes dar uma mordida em seu sorvete – ria de volta e roubava um beijo com gosto de brownie.

Tomavam seus sorvetes como se não houvesse freezer amanhã; como se todos os sorvetes do mundo fossem descongelar à meia-noite, e não fosse mais possível congelá-los de volta; saboreavam cada mordida com o perigo daquela ser a última; passavam a língua nos lábios como se nunca mais fossem estar sujos de sorvete.

Se beijavam como se esse fosse o último beijo que dariam.

No entanto, era apenas um beijo, em meio a tantos que foram e estavam por vir.