O São Paulo não combina com o Canal 100. Isso, digo na lata, sem rodeios. Direto ao ponto. O campeão brasileiro de 2007 não se sairia bem nas câmeras do Canal 100.
Explico.
O Canal 100 ficou marcado pelo modo inovador que registrou partidas de futebol. Diferente de tudo que se fazia na época em que existiu (1958 – 1986); e diferente de tudo que foi inventado até hoje.
A câmera era na altura dos jogadores, como se o espectador estivesse na geral. Mas era melhor que a geral, porque onde a bola fosse a câmera ia atrás. Não só isso, o Canal 100 exibia todos os lances em câmera lenta. O futebol se transformava em espetáculo, em obra de arte.
Vendo os filmes do Canal 100, tem-se a impressão de que o tempo passa diferente. Os cinegrafistas e editores dilataram o tempo até criar uma nova cadeia espaço-temporal especial pro torcedor, agora na sala de cinema. O Canal 100 focava o detalhe, dava tempo aos jogadores, olhava de perto a dúvida do passe, a preparação do drible. A câmera lenta mostrava cada segundo da angústia do goleiro frente à bola, focava o pé do armador no momento do passe. Uma simples jogada era a ocasião mais importante do dia.

A magia do “futebol Canal 100″
O futebol era um grande baile de artistas, cheios de paixão e de criatividade, passíveis de hesitação, expostos ao erro, mas, é claro, brindados com uma brilhante jogada e um golaço.
O São Paulo Futebol Clube não tem nada disso. O futebol do clube paulista é mecânico, duro, enrijecido. Muricy Ramalho não quer um espetáculo, ele quer o resultado, oras, a vitória acima de qualquer coisa. Em vez de paixão, há pura e simples dedicação. O talento não ocupa nem 10%, é cem por cento transpiração. Não é isso, afinal, o que importa? Ganhar, ganhar, ganhar.
A “eficiência burocrática” são-paulina
Não pro Canal 100. Não pro craque, pra centelha de inspiração que pode acender a qualquer momento. O Canal 100 talvez não se importe com o resultado, tanto que em muitos de seus cinejornais não havia imagens de todos os gols da partida. O futebol estava em um plano muito mais alto do que a engenhoca de muricys, parreiras e afins.
O São Paulo é um time muito perfeito para o Canal 100. O jogador sabe pra onde tocar antes de pegar na bola, e efetua a jogada como quem anda pra frente, sem pensar. Robôs presos a esquemas táticos.
O Canal 100 não buscava o futebol imperfeito, mas o futebol verdadeiro, apaixonado e apaixonante.
Como o São Paulo, muitos outros. E se o exemplo do “futebol vencedor” prevalecer, o Canal 100 continuará sem poder desfraldar suas lentes. Talvez seja melhor assim, pois não merece registrar em suas grandiosas lentes o futebol morto dos dias de hoje.



assim!”. Concordo plenamente. Algumas são extremamente voluntariosas, mas são poucas. E são exemplares perfeitos de boa genética, que conseguem burlar a exigência dos empregadores e conquistar os clientes.