Arquivo de Junho, 2007

É tempo de férias

30 Junho, 2007

Depois de quatro meses de sofrimento – alguns chamam de aula – finalmente chega aquele período feliz do ano: as férias. Uma alegria de estar na faculdade é que essa fase de descanso vem duas vezes por ano, com uma extensão maior do que a que estávamos acostumados no colégio. Isso nos dá a possibilidade de relaxar, se divertir, viajar mais e estudar menos. 

Apesar disso, passamos por um período de incapacidade criativa gerado pelo excesso de tranqüilidade e relaxamento gerado pelo período de férias. A preocupação demasiada com o destino de viagens, as próprias viagens, as poucas horas de sono alternadas com muitas horas de descanso, não nos deixa a chance de sentar e pensar em algo interessante e engraçado para entreter os nossos 14 leitores. 

Por isso, assim que eu tiver uma idéia legal e as mudanças forem formalizadas estarei, de novo, presente para vos entreter.

“Tem um real?”

27 Junho, 2007

A cada dia que passa, essa pergunta tem se tornado mais freqüente nas ruas do Rio de Janeiro – e não vem de mendigos ou pedintes, mas sim de vendedores e caixas em geral.

Em 23 de dezembro de 2005, as notas de um real deixaram de ser impressas, sendo substituídas pelas moedas de mesmo valor, que passaram a ter maior circulação. Além da eminente morte da nota de um real, também é a morte do verde como símbolo de dinheiro. Admitamos que azul e cinza (2), violeta (5), carmim (10), amarelo e laranja (20), marrom (50) e azul (100) não são cores dignas de dinheiro.

Desconsiderando problemas com cores, é de conhecimento geral que ninguém gosta de moedas, por serem inconvenientes e “pesos mortos” – mesmo valendo um real.

A maioria das carteiras não tem espaços para se guardar moedas, e carregar por aí um porta-níquel é, além de desagradável, torturante. Se você não usa bolsa, não tem onde guardar. Mesmo se usa, é mais uma coisa para levar junto. Quando recebe uma moeda, tem que tirar o porta-níquel da bolsa (ou mochila), abrir o zíper, colocar a moeda, fechar o zíper e colocar de volta. Isso tudo com a carteira na mão. Ainda, muitas vezes ele é esquecido dentro da bolsa (ou mochila), porque o procedimento é o mesmo para se tirar as moedas. 

Se você tem uma daquelas carteiras com espaço para moeda, a tarefa é tão árdua quanto. Normalmente, essas partes são pequenas e escondidas, para não deixar a carteira gorda. Quando se tenta colocar as moedas dentro, é preciso tomar cuidado para não deixar notas e cartões caírem, pois esses compartimentos nunca são na mesma direção e acabam prejudicando a estabilidade dos outros objetos guardados na carteira.

A decisão de substituir gradativamente as notas por moedas de um não traz benefícios; nem deixa a população escolher qual meio monetário ela prefere. E o Banco Central é firme em sua decisão, a ver pela diferença em quantidade de circulação entre notas e moedas.

No dia 26 de junho (ontem), segundo dados atualizados do site do Banco Central do Brasil, havia 348.818.561 notas de um real em circulação, contra 734.068.539 moedas. Como se vê, é mais que o dobro. E o número de notas vai diminuindo a cada dia. Do dia 25 de junho para o dia 26, 732 mil e 94 notas saíram de circulação, enquanto as moedas tiveram um reforço de exatas 599 mil e 965.

Fato é: as moedas estão crescendo vertiginosamente, já se tornaram uma realidade para assolar nossas vidas e carteiras.

Pois é, ninguém gosta de receber moedas, e os caixas tentam ao máximo evitar distribuí-las – pelo menos os altruístas e de bom coração. A pergunta “tem um real?” é válida e pertinente quando há valores terminados em 1 e 6 e não se tem dinheiro trocado. O negócio custa 11, mas você só tem 15. Para não ter que te dar quatro moedas de um, o caixa pergunta se você tem um real trocado, para que ele te dê uma nota de cinco, bem mais confortável e leve. Esse procedimento se repete com qualquer valor que dê para se trocar moedas por notas.

A grande concorrente (e altamente preferida entre as pessoas) da moeda de um é a nota de dois. Entrou em circulação em 2002 e hoje já é a terceira nota de maior circulação no país – só perde pra de 50 e pra de dez –, com 475.295.107 cédulas rodando por aí no dia 26/06.

A nota de dois é perfeita para ser entregue em casos de valores terminando em 1 e 6, além de trazer um frescor ao real, junto com a de 20, renovando as já saturadas notas.

O que complica é o anúncio do Banco Central, em 24 de janeiro de 2007, de que será lançada a moeda de dois reais.

Pelo menos elas serão apenas comemorativas em homenagem ao Pan e custarão 15 reais cada, não aparecendo como sucessoras reais das cédulas.

Mas a pergunta que não quer calar é: o que o Banco Central tanto vê em moedas, afinal?

Querida, chegamos

27 Junho, 2007

Dez dias depois de recesso declarado pelo colega americano, escrevo para revelar a volta do Filhos da PUC.

Sim, estamos de volta.

Nossos 14 leitores (corre solta a notícia de que Paula Richard agora é leitora assídua) podem se tranquilizar: estamos bem, só estávamos com dificuldades de fim-de-período. Entre provas, trabalhos, estresses e apendicites, os três Filhos da PUC saem ilesos (um deles sem apêndice) dessa correria das últimas semanas, para voltar à ativa, em que continuaremos a honrar nossa mãe – a PUC – e nossa tia – a pauta, a quem tanto ficamos devendo.

Como um convalescente que retorna à casa depois de alguns dias no hospital, o Filhos da PUC promete vida nova e novidades para as férias. Trará um novo olhar sob os acontecimentos do mundo e da rotina, terá troca de dias entre colunistas, e ainda contará com a presença de colunistas convidados que escreverão junto conosco em dias especiais.

Em meio a novidades e novos olhares, decreto o Re-Início do Filhos da PUC. Criado em 27 de março, com 5,286 visitas até hoje, marco nesse 27 de junho, três meses depois, com o 71º post, a nossa volta:

Querida, chegamos.

Dino

Rapidinha de Domingo

17 Junho, 2007

Eu me sinto obrigado a fazer isso. A idéia de fazer esse blog foi minha. A iniciativa foi minha. A escolha do nome foi em conjunto, mas partiu de uma idéia minha (se não me engano. Se me engano, perdão). O grupo, que escreve, é composto por amigos meus. Os leitores – Velho Lobo, eu te amo – merecem uma satisfação.

 Caros amigos e amigas,

 estou com problemas de final de período. Não que esteja frenético estudando para as provas, não. Até porque só temos trabalhos, em sua maioria. Mas estou frenético tentando resolver um desses trabalhos, que já deveria estar pronto. Tivemos dois meses para fazê-lo e deixamos para a última hora, obviamente. A questão é que, de um grupo de 15 pesssoas, apenas três estão se empenhando para fazer essa merda, que vai ao ar na rádio CBN algum dia de julho.

A pressão da rádio, involuntariamente, é enorme sobre a minha cabeça e aquela merda de sentimento que eu estou esquecendo alguma coisa não sai da minha cabeça. É por causa disso, e por causa da preguiça, que eu não escrevi nesse sábado.

Desculpem-me, prometo retornar, com criatividade, assim que as provas acabarem.

Um grande beijo, em especial para o Velho Lobo, nosso leitor número 13,

Albert Americano

E tomaram sorvete como se não houvesse freezer amanhã

13 Junho, 2007

Diante de um freezer com 29 opções de sorvete, provaram os primeiros 17 sabores para terem certeza qual cada um iria tomar. Ele optou pelo mais simples e casual, uma bola na casquinha da verdadeira polpa de maracujá. Ela teve escolha mais inusitada: sorvete de brownie. A improvável transformação do bolo de chocolate quente em sorvete gelado provocou nela um desejo inexplicável, incompreendido e repentino: era de brownie e nenhum dos anteriores 16 ou dos próximos 12 sabores seriam mais proveitosos.

Ele pagou os sorvetes. Com a mão esquerda, ele segurava a casquinha de maracujá; com a direita, segurava a mão esquerda dela, que com a direita segurava a sua casquinha de brownie. Assim continuaram a andar sem rumo. Entre pedidos dela para experimentar o maracujá e dele para experimentar o brownie, misturavam os sabores assim como suas mãos se misturavam.

Os olhares furtivos e os sorrisos ligeiros e apaixonados mostravam que por mais que a bola e a casquinha fossem inexoravelmente devoradas, o amor entre eles iria permanecer.

Os passos seguiram embalados pelo agradável gosto de sorvete em tarde de temperatura amena; e pela deliciosa companhia alheia num fim de tarde de clima potencialmente melancólico, porém, transformado em entusiasmo explosivo por causa da presença do outro.

De vez em quando, ela pegava o guardanapo e, rindo, limpava o canto da boca dele, suja com restinhos do sorvete de maracujá. Ele – sem não antes dar uma mordida em seu sorvete – ria de volta e roubava um beijo com gosto de brownie.

Tomavam seus sorvetes como se não houvesse freezer amanhã; como se todos os sorvetes do mundo fossem descongelar à meia-noite, e não fosse mais possível congelá-los de volta; saboreavam cada mordida com o perigo daquela ser a última; passavam a língua nos lábios como se nunca mais fossem estar sujos de sorvete.

Se beijavam como se esse fosse o último beijo que dariam.

No entanto, era apenas um beijo, em meio a tantos que foram e estavam por vir.

Coroa de Dia dos Namorados

12 Junho, 2007

 

 

Decidi quebrar o silêncio do blog. E Mais uma vez o pai dos burros me serve de amparo:

 

Coroa

do Lat. Corona 

s. f.,

ornamento circular para a cabeça, que se usa como sinal de honra, de regozijo, ou de simples adorno;

fig.,

estado governado por monarquia;

o poder, a dignidade real;

a monarquia;

s. 2 gén.,

pessoa madura ou idosa;

massa.,

musa inspiradora.

  

Para os mais “descolados”, aqueles que tem vida social, aqueles que não se limitam ao circuito Baronetti, Nuth e sei lá mais o quê, uma coroa é aquela MILF – Mother I’d Like to Fuck. Uma mulher mais velha que ainda mantém tudo em cima.

Como tenho uma senhora queda por mulheres mais velhas, resolvi analisar a utilização do termo e seu emprego com outros significados que podem ser empregados também na sua utilização “descolada”.

No sentido denotativo, uma coroa é aquele ornamento que os reis, rainhas e princessas usam para demonstrar riqueza e poder. Pode ser também uma coroa de louros. De qualquer forma representa um determinado poder ou status. Quando esse conceito é passado para a conotação, serve como demonstração do que deve ficar explícito. É isso que se deve passar para aquela que é a senhora, a dona do seu coração. Nada melhor do que uma demonstração constante e inigualável do seu amor. Nada mais bonito do que colocar na cabeça dela a coroa do seu coração.

A coroa do seu coração tem que ser entregue como se fazia durante as monarquias. Cerimônias e trompetes, todo aquele show para caracterizar a importância do momento. Até porque a coroa deve ir para a pessoa que é a rainha – ou rei – dos seus sentimentos. A monarquia é empregada como uma forma de simbolizar a monogamia dos dias de hoje. Esta que rege a sociedade contemporânea ocidental. Até porque uma mulher para cada homem é mais do que o suficiente, ainda mais se ela for mais experiente.

Fica aqui um textinho para aqueles que não tem compromissos nesse dia cunhado pelas grandes empresas capitalistas. Mais um dia feito para o consumo, e que mesmo assim consegue tirar as pessoas mais cedo da cama – prioridades, prioridades.

Fica aqui uma homenagem para a Coroa a musa inspiradora dos escritores e o motivo desse texto. Um presente para os 13 leitores do blog (salve, salve, Velho Lobo), já que presente algum foi adquirido.

É feriado, merecemos descanso!

7 Junho, 2007

Todo mundo já sabe que no Brasil tem feriado pra tudo, mesmo muitas pessoas não sabendo o motivo para a paralização. Para estudantes e vagabundos isso é ótimo, para aqueles que pensam que a economia perde tantos reais por dia é um absurdo.

Como esse blog é feito por estudantes os feriados são muito bem-vindos. Não iremos trabalhar neste dia querido. Gostaria também de pedir desculpas para os 14 leitores e para os outros dois blogueiros pelo ‘buraco’ na segunda. A ”Skavuska” não deixou!

Então voltarei, e provavelmente o blog também, na segunda.

A arte de cagar no mato

5 Junho, 2007

O conceito de arte é extremamente vago. Um dos presentinhos desse semestre, dado pela Ribas, foi o esclarecimento de quão branda é a análise de uma obra de arte. Se pensarmos pelo lado mais liberal e menos fresco, podemos considerar muitas coisas como um presente intelectual para a humanindade, inclusive cagar fora de casa.

Uma dificuldade para os fracos, defecar fora de casa pode ser uma bênção em momentos de necessidade ou uma praga na hora da disenteria. Há algumas histórias que comprovam o meu ponto. Uma delas já foi mencionada anteriormente, em um post mais romântico, e a outra não me envolve diretamente, mas contarei para provar um ponto.

Ano passado, no feriado da Páscoa, rolou uma viagem para Trindade. Tudo estava tranqüilo e bonito até algumas horas antes de entrar no ônibus para Parati. As dores começaram em casa, e o Gleide teve de ser acionado duas vezes antes de partir para a rodoviária. Durante os quatro dias de fuga da rotina, as dores e a necessidade de utilizar o banheiro não desapareceram. A disenteria poderia ter comprometido a diversão da viagem se não fosse o bom humor sobre os acontecimentos e a tranqüilidade de se cagar fora de casa.

Se eu fosse um daqueles fracos que não consegue usar o toalete de um camping no meio do mato, seria muito complicado. Toda a diversão da viagem poderia ter sido posta em risco, ter sido jogada descarga abaixo – junto com alguns quilos.

A outra também envolve camping. Talvez o problema seja com o fato de estar no meio do mato, sei lá. Mas o fato é que rolou uma barriga d’água bem feia provocada pela falta de evacuação. Com todo o sistema digestivo travado por cerca de seis dias, em um fim de mundo, a aparência de doença tropical se intensificou. É possível que a vergonha causada pelo físico seja quase tão ruim quanto a de confessar que teve que usar o banheiro nojento do camping estranho.

Imagino que tenha provado meu ponto. Admiro todos aqueles que têm a coragem de cagar fora de casa. Todos aqueles que tem o dom de marcar a privada alheia. Finalizo, reconhecendo que este post está bem aquém do recente nível do blog, e completando com a minha expectativa de que minhas exposições tenham sido boas o suficiente para convencerem as pessoas a cagarem fora de casa. É uma arte. Os brandos conceitos ensinados pelas Ribas me dão o poder de proclamar a cagada como uma arte!

Quando a esmola é pouca, todo mendigo reclama

3 Junho, 2007

Em clima de ressentimento

Eu sou um ser apaixonado pelo Rio de Janeiro. Apesar de não ser minha cidade natal – viva Snoqualmie! – eu gosto muito de morar na Cidade Maravilhosa. Mesmo com seus problemas e defeitos, o Rio consegue marcar a vida de qualquer um.

Em clima de ressentimento, após quase ter sido assaltado em frente a uma Delegacia de Polícia, postarei uma idéia antiga que está guardada há algum tempo, pois a preguiça de escrever falava mais alto.

 

Quando a esmola é pouca, todo mendigo reclama

 

O Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do Brasil e a terceira maior da América Latina com cerca de seis milhões de habitantes. A Região Metropolitana da cidade faz com que a quantidade de “usuários” dobre, são aproximadamente 12 milhões de pessoas vivendo em função da Cidade Maravilhosa.

O problema é que grande parte dessas pessoas está abaixo da linha da pobreza, chutados para escanteio por um governo que adota medidas populistas e age como se o problema não existisse. O problema existe. Há tempos que ele está presente, e as sucessivas falta de atitudes levam essas pessoas a recorrerem a medidas extremas para conseguirem sobreviver. É por isso que temos uma população de rua tão expressiva na cidade, além de marginais – no sentido de marginalizados pela sociedade – tentando ganhar a vida de forma prejudicial à maioria.

Toda vez que saímos na rua, milhares de pessoas pedem dinheiro ou algum tipo de contribuição para ajudar a sustentar as dezenas de filhos. Como a maioria da população é sofrida, a classe média não pode arcar com os custos de sustentar um povo tão pobre. É por isso que não há a possibilidade de dar dinheiro para todos que pedem, os salários dos estagiários estariam comprometidos antes mesmo de lhes chegarem às mãos.

As vezes, casos especiais tocam os corações dos mais abastados e contribuições se fazem necessárias por causa do sentimento de piedade. Histórias tristes, que um dia poderiam virar filmes, deixam a classe média sensibilizada. Deficientes acompanhados de guias, ou de cadeiras-de-roda, sempre acabam fazendo com que as pessoas abram a carteira.

Mas há alguns, tão meigos e sensíveis, que o fazem perder a carteira. Aqueles que pedem com jeitinho, com uma voz doce e inebriante, o som melódico do “passa tudo, mané, senão vou te furar todinho!”, faz com que dixemos a carteira ir embora, como se num passe de mágica. O problema é que estes também são muitos e para poderem competir num mercado tão restrito, eles estão cada vez mais ousados.

Eram 18:30 da noite, a Nossa Senhora de Copacabana estava lotada, e aos berros um negão mandou passar tudo. Entre vários outros pedestres, um comparsa se posicionou na frente da vítima e eles tentaram fazer um sanduíche humano de intimidação. Ao perceber o que estava acontecendo, o menino saiu em disparada, como uma bala, pra cima do meliante da frente, dando-lhe um empurrão, conseguiu se safar da condição de recheio de pão integral. A atitude desesperada, que quase lhe custou o tênis do pé esquerdo, pode ter salvado a sua vida, além do seu celular e carteira.

A grande questão é que isso aconteceu em frente a uma Delegacia de Polícia. Como os guardadores de veículos, que muitas vezes fazem tratos com os policiais, não duvidaria que esses idiotas também mantenham algum tipo de acordo com os PMs.

 

Merda de política!

Aaaaah, o inverno!

2 Junho, 2007

Nota do autor: esse é um post em resposta ao post Ahhhhh, o verão!, do Arari. 

Acho que nasci na cidade errada, porque sempre que posso tento fugir do calor. E quando vem aquele friozinho que não se cansa de descer sobre a cidade, torço – sem sucesso – para que ele continue eternamente. Concordo que tirar o sol e calor do Rio de Janeiro é uma heresia, mas vá lá, não precisa ser tão quente.

Me sinto um alien quando comemoro a frente fria no Rio, mas tenho que ressaltar seus pontos positivos.

Sinceramente? Chegar com a bunda e as costas molhadas em casa (ou em qualquer lugar), é um saco. Levantar o braço e ostentar aquela pizza com queijo extra e borda de catupiry é humilhante e constrangedor. Nem precisa ser a circunferência completa, uma fatia já incomoda.

Você não tem como evitar o calor. A sua reação natural é ficar com a menor quantidade de roupa possível, mas às vezes chega-se a um calor tão exaustivo que a única opção é ficar pelado e entrar no banho frio. E nem sempre isso é possível. O frio carioca nunca chegará a limites tão extremos. Sempre uma calça e um casaco resolvem o assunto; se tiver bolso, melhor, tem como colocar as mãos no bolso. Plenamente com fácil solução.

Tirando o fato de que as mulheres bonitas da nossa cidade realçam sua beleza quando estão com roupas de frio (especialmente uma). Nada da vulgaridade de um biquíni ou mini-saia: roupas de manga comprida ou com gola role são particularmente inebriantes.

Um amigo meu insiste em afirmar que não há nada como ir a praia em clima frio. Sol e temperatura amena combinam perfeitamente: não há o desgaste do sol, de sentir a pele queimando. Voltar para a casa com o corpo incomodado, demorar pra dormir. Ter que ligar o ventilador ou o ar-condicionado. Nada disso! E veja só: no frio, você gasta menos energia!

O frio deixa tudo mais agradável.

E deixa as pessoas mais agradáveis. Prova disso está, por exemplo, em dois filmes. Tanto Faça a Coisa Certa (Spike Lee, 1988) ou Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2003) retratam situações extremas que acontecem em um dia de calor fora do comum. Nunca que em um dia de frio as pessoas vão sair matando as outras, quebrando vidraças e criando confusões racistas no meio da rua. Não tem clima pra isso.

No frio, tem mais conversa e menos reclamação. Não tem estresse. Até uma cervejinha aquece o ânimo. Dá pra apreciar melhor o sorvete. Juntar a galera num barzinho quentinho. A night fica mais agradável – pagode e churrascos a céu aberto que nada, fala sério!

Hoje a noite não foi tão gelada assim, mas fiz o programa perfeito para um fim de noite agradabilíssimo no clima frio: comi um fondue de queijo e assisti a um filme abraçadinho com minha namorada. No calor, teria comido bife com batata frita e cada um teria visto o filme em sofás diferentes. Vejam a diferença.

I rest my case.