“Garçom, aqui nessa mesa de bar…”

Só beber não tem graça, a onda agora são as brincadeiras de bar. Nas mesas de botecos, nas rodas de amigos em churrasco, todo lugar que tem bebidas alcoólicas elas aparecem. Para alegria de uns e a felicidade de todos. Quem não as conhece pode achar impossível de entender e participar. E quando se aventura e joga sai quase em coma alcoólico, caso não haja o famoso “café com leite”.

Mas isso é uma etapa natural na vida do ser humano, como engatinhar e falar, é tudo um processo. Como não tem jeito de treinar, o jogador só melhora se praticar bastante. Haja fígado. O tempo vem e trás as malandragens de cada jogo. Ao mesmo tempo a hora de virar o copo cheio vai embora, passando a vez pra outro iniciante.

As brincadeiras são praticamente as mesmas, mas podem ter variações de um lugar para o outro. Essas leves mudanças podem derrubar participantes desavisados: “Zum, zum, volta, zum, volta, zum, lombada, zum…” não entendeu? Vou tentar explicar. Uma das brincadeiras mais recentes, criada no fim dos anos 60, junto com a independência do seu país de origem, Botsuana. As tribos do sul do país se reuniam secretamente como única forma de diversão. Nesses encontros cada participante, sentados em círculo, falava uma palavra e quem não seguisse a ordem na seqüência perdia. A prenda paga era virar uma tigela cheia de “kawanga”, uma bebida local feita de urucum e alcoól de cacto.

Volta e lombada foram adaptadas. As originais “vowolt” e “zambada” têm o mesmo significado das palavras brasileiras. A única que sobrou, “zum”, manteve seu sentido real, passa. Lembrando que os recursos não podem ser usados seguidamente. A tradução do início do parágrafo pra quem não entendeu: “passa, passa, volta, passa, volta, passa, pula, passa…”.

A brincadeira africana não é a única importada para o território brasileiro. Outra famosa no estado do Rio é a “Pa, pim,pow”. De origem americana, mais precisamente do oeste do Texas, ela surgiu no início dos anos 20. Sofreu algumas mudaças significativas, mas ainda lembra muito a original.

A principal mudança foi na prenda paga. No Brasil quem perde tem que beber um copo cheio, ou uma dose da bebida em questão. Já no estado americano o “pow” se refere ao barulho da arma. Quem perdia esperava um outro perdedor pra um duelo, que sempre acabava com um participante ferido. As regras são simples. Um determinado jogador começa falando PA, a roda segue no sentido horário e o próximo participante fala PIN e na sequência o terceiro fala POW e ao mesmo tempo aponta pra um jogador que recomeça com PA. Assim continua até alguém errar a ordem, ou falar a palavra errada, ou não apontando na hora do POW.

O Brasil também cria as suas brincadeiras. No século XVI a “minha tribo” a tribo Tupi, dos índios temiminós se reunia, onde hoje se encontra a cidade de Niterói. Entre uma batalha e outra pela defesa das terras das invasões francesas. Nesses encontros os caciques queriam saber da vida de cada combatente. A forma mais disfarçada de saber sem que os índios desconfiassem era a brincadeira “Eu nunca…”. Cada participante, um de cada vez, fazia uma afirmação começando com Eu nunca. O jogador que já tiver feito o que foi dito bebe um pote de chá alcoólico.

Com o passar do tempo o chá faz efeito e os participantes vão se soltando, falando a verdade com mais facilidade. Atualmente, a brincadeira tem outro sentido. Homens e mulheres a utilizam pra saber da vida pessoal de cada um, mais precisamente da vida sexual.

A brincadeira mais antiga também é a mais simples. Não há nenhuma regra especial. Também há outras brincadeiras regionais, como “beer pong” comum nas reuniões de jovens em Nova York. A “brincadeira do limão” é vista com freqüência em Niterói, um dos pólos fabricantes e usuário desse tipo de diversão. A China também tem seu nome lembrado com a brincadeira do PIN PONG, na qual a matemática é pré-requisito. Essas são só algumas formas de diversão. Com uma garrafa de qualquer coisa e criatividade as pessoas podem ter horas de alegria.

Portanto, no próximo churrasco, pré-nights ou algo do gênero tente introduzir (no bom sentido, óbvio) alguma dessas brincadeiras. Faça isso logo antes que alguém aprenda e você fique pra trás e fique que nem um trouxa, perdendo toda rodada e bebendo. E quanto mais alcoól no sangue mais difícil fica de virar o quadro. Sem esquecer de apreciar com moderação e se dirigir não beba, se beber me liga.

5 Respostas to ““Garçom, aqui nessa mesa de bar…””

  1. fdpuc Says:

    Esse é meu garoto! Deu a valorizada mais sinistra que eu já vi em uma sugestão de pauta e fez o texto que eu mais me amarrei nesse blog até hoje!

    Merece divulgação no orkut e o caralho…parabens!

  2. Guilherme (Luisinho ¬¬) Says:

    Hahahahah
    Sensacional!
    Já faz tempo que a gente não “brinca”, hein!? Tá na hora de marcar alguma…
    Hahaha

  3. Gatinha69 Says:

    Espero que o autor desse texto seja beeeem forte com bebida…
    Vamos combinar de brincar um dia sim!
    Beijo, lindo!

  4. fdpuc Says:

    toda propaganda confirmada!

    hilário mesmo. me matei quando tu falou de botsuana, achei isso a parte mais genial do texto (e como foi usando os exemplos semelhantes, texas, etc).

    se beber me liga.

    Castello.

  5. Jéssica Says:

    CARA, JA CONHECIA UMAS AI

    SE SOUBER DE MAAISS ALGUMA ME FALA
    TEM ORKUT?

    O MEU É

    http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8076173078631996833

    ;DDDD
    valeuuuuuu

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